A sonda Van Allen A, da NASA, deve reentrar na atmosfera da Terra de forma descontrolada quase 14 anos após o lançamento. A espaçonave, que pesa cerca de 600 quilos, tem previsão de iniciar a reentrada entre a noite de terça-feira (10) e a noite desta quarta-feira (11), segundo estimativas da agência espacial norte-americana.
De acordo com a NASA, a maior parte da estrutura deve se desintegrar ao atravessar a atmosfera, embora exista a possibilidade de que alguns fragmentos sobrevivam à reentrada. Ainda assim, não há previsão exata sobre o local onde eventuais destroços possam cair.
Apesar disso, a agência afirma que o risco de qualquer pessoa ser atingida é extremamente baixo, estimado em 1 em 4.200. A situação segue sendo monitorada, e novas atualizações podem ser divulgadas conforme a trajetória da espaçonave seja recalculada.
Missão científica que estudou os cinturões de radiação
A Van Allen A foi lançada em 30 de agosto de 2012, juntamente com sua nave gêmea, Van Allen B, como parte de uma missão científica destinada a estudar os Cinturões de Van Allen, regiões formadas por partículas carregadas presas ao campo magnético do planeta.
Esses cinturões atuam como uma espécie de escudo natural da Terra, protegendo o planeta contra radiação cósmica, tempestades solares e o vento solar, fenômenos que podem ser prejudiciais aos seres humanos e também danificar satélites e equipamentos espaciais.
Durante sete anos de operação, entre 2012 e 2019, as duas sondas coletaram dados inéditos sobre o comportamento dessas partículas energéticas e ajudaram cientistas a compreender melhor como elas são capturadas e liberadas pelo campo magnético terrestre.
Descobertas importantes durante a missão
Entre os principais resultados da missão está a identificação de um terceiro cinturão de radiação temporário, que pode surgir durante períodos de atividade solar intensa.
As sondas também foram as primeiras espaçonaves projetadas para operar por longos períodos dentro dessa região de alta radiação, uma área onde a maioria das missões espaciais evita permanecer por muito tempo justamente por causa dos riscos aos equipamentos.
Reentrada antecipada surpreendeu cientistas
Quando a missão foi encerrada em 2019, os cálculos indicavam que a Van Allen A só retornaria à atmosfera terrestre em 2034. No entanto, mudanças na atividade solar alteraram essa previsão.
Em 2024, cientistas confirmaram que o Sol havia atingido o chamado máximo solar, período de maior atividade da estrela. Esse fenômeno aumenta a densidade das camadas superiores da atmosfera, provocando maior arrasto sobre objetos em órbita baixa.
Com isso, a espaçonave perdeu altitude mais rapidamente do que o previsto, antecipando sua reentrada em mais de uma década.
Já a sonda Van Allen B, que também integrou a missão, não deve retornar à atmosfera antes de 2030, segundo estimativas atuais da NASA.


