O Ministério da Saúde anunciou a incorporação de uma nova tecnologia ao Sistema Único de Saúde (SUS) capaz de avaliar a idade gestacional e a maturidade pulmonar de recém-nascidos prematuros a partir da análise da pele dos pés. O dispositivo foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e passou por validação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
A portaria que oficializa a inclusão da tecnologia foi publicada na quinta-feira (12). A partir dessa decisão, o Ministério da Saúde terá até 180 dias para iniciar a distribuição dos equipamentos na rede pública de atendimento.
Tecnologia permite diagnóstico rápido logo após o nascimento
O equipamento, chamado PreemieTest, funciona por meio de uma pequena sonda colocada no pé do bebê, que analisa as propriedades da pele neonatal.
Em poucos segundos, o dispositivo fornece informações importantes para a equipe médica, como estimativa da idade gestacional e indícios sobre a maturidade pulmonar do recém-nascido.
O exame é rápido, indolor e não utiliza radiação, podendo ser realizado imediatamente após o parto para auxiliar na tomada de decisões clínicas.
Apesar da inovação, o Ministério da Saúde ressalta que o equipamento não substitui o acompanhamento médico nem os cuidados pré-natais realizados durante a gestação.
Ferramenta pode ajudar em regiões com pouco acesso a exames
O uso da tecnologia é considerado especialmente importante em regiões remotas ou de difícil acesso, onde muitas vezes não há registros precisos sobre a idade gestacional do bebê.
Nesses casos, informações como a data da última menstruação da gestante ou exames de ultrassom realizados no início da gravidez podem não estar disponíveis, o que dificulta a avaliação médica após o nascimento.
Com o novo dispositivo, será possível identificar rapidamente a condição do recém-nascido e definir os cuidados necessários, como suporte respiratório ou encaminhamento para unidades hospitalares com maior capacidade de atendimento.
Prematuridade é desafio importante para a saúde pública
Dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) indicam que, entre 2024 e 2025, o Brasil registrou mais de 487 mil nascimentos de bebês prematuros, o que representa 12,3% do total de nascidos vivos no período.
Diante desse cenário, tecnologias que permitem diagnóstico precoce e decisões médicas mais rápidas podem contribuir para reduzir complicações e melhorar o atendimento neonatal.
Dispositivo auxilia decisões clínicas importantes
Além de estimar a idade gestacional, o PreemieTest pode indicar com maior precisão a necessidade de:
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Internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal
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Uso de suporte ventilatório
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Risco de síndrome do desconforto respiratório (SDR)
Essas informações ajudam os profissionais de saúde a definir rapidamente o tratamento mais adequado, o que pode ser determinante para a sobrevivência do recém-nascido prematuro.
Tecnologia brasileira foi testada em diferentes regiões
O dispositivo foi testado em várias regiões do país, incluindo territórios indígenas da Amazônia, em estudos realizados em parceria com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).
Segundo os pesquisadores, os testes demonstraram boa aceitação pelas equipes de saúde e viabilidade de uso em locais de difícil acesso, ampliando as possibilidades de diagnóstico em áreas com menor infraestrutura médica.
Investimento em inovação no sistema público de saúde
O desenvolvimento da tecnologia contou com financiamento do Ministério da Saúde por meio do Programa de Desenvolvimento do Complexo Industrial da Saúde (Procis), iniciativa voltada a transformar pesquisas científicas em soluções aplicáveis ao sistema público.
De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o investimento em tecnologia nacional contribui para fortalecer o sistema de saúde e ampliar o acesso a diagnósticos de qualidade.
Segundo ele, iniciativas desse tipo permitem que recém-nascidos recebam atendimento mais rápido e adequado desde os primeiros momentos de vida, inclusive em comunidades distantes dos grandes centros urbanos.
Ultrassom ainda é principal método durante a gestação
Atualmente, no SUS, a principal forma de determinar a idade gestacional durante a gravidez é o exame de ultrassom realizado no primeiro trimestre.
Quando há risco de parto prematuro, médicos podem utilizar corticoides para acelerar o desenvolvimento dos pulmões do bebê. Após o nascimento, o cuidado com prematuros envolve avaliação clínica detalhada, uso de medicamentos, suporte respiratório e internação em UTI neonatal quando necessário.


