Apesar de elogios, presidente dos EUA manteve críticas ao Judiciário brasileiro e às relações diplomáticas entre os dois países
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou durante discurso na Assembleia Geral da ONU que encontrou o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que os dois se abraçaram e que devem voltar a se reunir “na próxima semana” para discutir as tarifas impostas contra o Brasil.
O breve encontro ocorreu logo após o discurso de Lula no plenário. Em tom descontraído, Trump disse que gostou do petista e que só faz negócios com pessoas de quem gosta.
“Ele parece um homem muito agradável, eu gosto dele e ele gosta de mim. Tivemos ali 30 segundos, mas foi uma química excelente. Isso é um bom sinal”
Afirmou.
Críticas ao Brasil antes dos elogios
Apesar do aceno, Trump voltou a criticar o sistema judicial brasileiro, apontado como pivô da crise diplomática.
“O Brasil agora enfrenta tarifas pesadas em resposta aos seus esforços sem precedentes para interferir nos direitos e liberdades dos nossos cidadãos americanos, com censura, repressão, armamento, corrupção judicial e perseguição de críticos políticos”
Disse.
Na véspera, Lula havia criticado as sanções unilaterais dos EUA e reforçado que a democracia e a soberania brasileiras são “inegociáveis”.
Discursos na ONU
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Lula: condenou “sanções arbitrárias”, defendeu o multilateralismo, a regulação das redes sociais e convidou países para a COP30 no Brasil;
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Trump: destacou que encerrou “sete guerras sem ajuda da ONU”, atacou a própria entidade e afirmou que deveria receber o Prêmio Nobel da Paz.
Tarifaço e crise diplomática
As tensões entre Brasil e EUA se intensificaram em julho, quando Trump assinou ordem executiva que elevou em 50% as tarifas sobre produtos brasileiros, alegando ameaça à segurança nacional e acusando o STF de perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe.
Enquanto a relação bilateral segue estremecida, o anúncio de um encontro direto entre Lula e Trump representa a primeira sinalização de diálogo em meio à pior crise comercial e diplomática entre os dois países em décadas.


