Um estudo recente revelou que a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan mantém proteção por pelo menos cinco anos após a aplicação. O imunizante, chamado Butantan-DV, é a primeira vacina de dose única contra a doença, e apresentou resultados promissores em análise de longo prazo conduzida por pesquisadores da instituição.
De acordo com o estudo, a vacina demonstrou eficácia geral de 65% na prevenção de casos sintomáticos de dengue e cerca de 89,5% contra formas graves da doença. Entre os participantes que já tinham sido infectados anteriormente, a proteção chegou a mais de 73%.
Pesquisa analisou mais de 16 mil voluntários
Os dados fazem parte de um ensaio clínico de fase 3, considerado um dos estágios mais avançados de testes em vacinas.
O estudo foi realizado entre 2016 e 2019 e acompanhou mais de 16 mil voluntários brasileiros. Cerca de 10 mil participantes receberam a vacina, enquanto aproximadamente 6 mil receberam placebo, permitindo a comparação dos resultados ao longo dos anos.
Os pesquisadores também observaram que nenhum dos voluntários vacinados precisou ser hospitalizado por dengue, ao contrário do grupo que não recebeu o imunizante.
Proteção contra principais sorotipos do vírus
A vacina apresentou proteção eficaz contra dois dos principais sorotipos do vírus da dengue, conhecidos como DENV-1 e DENV-2, responsáveis por grande parte das infecções registradas no Brasil.
Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica Nature Medicine, considerada uma das mais respeitadas do mundo na área médica.
Vacina oferece proteção prolongada
Segundo os pesquisadores, a análise mais recente demonstra que a proteção proporcionada pela vacina permanece ativa por pelo menos cinco anos, o que reforça seu potencial como ferramenta importante no combate à doença.
O imunizante foi desenvolvido pelo Instituto Butantan em parceria com os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos, utilizando vírus vivos atenuados, técnica tradicional em vacinas que estimula o sistema imunológico a produzir defesa contra os quatro sorotipos da dengue.
Efeitos adversos foram leves
Durante os testes clínicos, não foram registrados efeitos adversos graves relacionados à vacina.
Os sintomas relatados pelos voluntários foram considerados leves, sendo os mais comuns:
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dor de cabeça
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cansaço leve
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reação leve no local da aplicação
Uso no Brasil e expectativa de ampliação
No Brasil, uma vacina contra a dengue passou a ser disponibilizada no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2024, inicialmente destinada a crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, faixa etária considerada mais vulnerável às complicações da doença.
Especialistas avaliam que, com os novos dados de eficácia prolongada, a vacina do Butantan pode se tornar uma importante aliada no controle da dengue no país, especialmente em regiões com alta incidência da doença.
Caso receba autorização definitiva dos órgãos reguladores, o imunizante poderá ampliar a cobertura vacinal e fortalecer as estratégias de prevenção contra a dengue no Brasil.


