O governo de Nicolás Maduro acusou os Estados Unidos de praticarem “roubo descarado” e pirataria internacional” após a interceptação de um petroleiro na costa venezuelana nesta quarta-feira (10). A operação foi confirmada pelo presidente americano Donald Trump e divulgada com imagens da ação.
Em nota oficial, o regime afirmou:
“A República Bolivariana da Venezuela denuncia e repudia energicamente o que constitui um roubo descarado e um ato de pirataria internacional, anunciado publicamente pelo presidente dos Estados Unidos, que confessou o assalto a um navio petroleiro no mar do Caribe.”
O comunicado também acusa os EUA de buscar “distrair a atenção e encobrir o fracasso do espetáculo político montado em Oslo”, em referência à entrega do Prêmio Nobel da Paz à líder da oposição María Corina Machado.
Operação dos EUA
Donald Trump confirmou a apreensão do navio e disse que ele transportava petróleo sancionado. Questionado sobre o destino da carga, respondeu:
“Ficamos com ele, eu acho.”
A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, afirmou que FBI, Segurança Nacional e Guarda Costeira, com apoio militar, executaram um mandado de apreensão de um petroleiro que transportava petróleo sancionado da Venezuela e do Irã. Um vídeo divulgado mostra helicópteros se aproximando da embarcação e agentes armados descendo por rapel.
Identidade do navio e carga
O navio apreendido seria o Skipper, sancionado anteriormente pelos EUA por seu envolvimento no comércio de petróleo iraniano, quando ainda se chamava Adisa. Dados de satélite e da estatal venezuelana PDVSA indicam que a embarcação deixou o porto de Jose entre 4 e 5 de dezembro carregando cerca de 1,1 milhão de barris de petróleo bruto pesado do tipo Merey.
Reação de Maduro
O regime de Maduro afirma que o objetivo da ação americana é promover mudança de regime na Venezuela, e não combater narcotráfico ou proteger a democracia. A nota ressalta que os recursos naturais do país são “pertencentes ao povo venezuelano”.
Contexto político
María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz, não chegou a tempo à cerimônia em Oslo e está em trânsito para a Noruega, segundo informações da oposição. Ela teria deixado a Venezuela de barco, passando pela ilha de Curaçao, numa tentativa clandestina de chegar à Europa.


