Primeiro-ministro rebateu acusações de genocídio, criticou reconhecimento do Estado Palestino e tentou reforçar imagem de Israel como aliado dos EUA na luta contra o terrorismo
O discurso do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, nesta sexta-feira (26), na Assembleia Geral da ONU, foi marcado por protestos e forte divisão entre delegações. Antes mesmo de começar a falar, representantes de vários países, incluindo o Brasi, deixaram o plenário em sinal de repúdio. Enquanto isso, parte da plateia aplaudia e manifestava apoio.
Apesar da recepção tumultuada, Netanyahu manteve o tom combativo. Ele agradeceu nominalmente ao presidente dos Estados Unidos, relacionou a guerra em Gaza ao combate global ao terrorismo e fez referências aos ataques de 11 de setembro. Citou Donald Trump como um aliado estratégico contra o Irã, o que arrancou aplausos da delegação americana.
Discurso sob críticas
O premiê israelense utilizou cartazes para reforçar sua narrativa de que o Irã e grupos como Hamas, Hezbollah e Houthis compõem um “eixo terrorista” que ameaça Israel e os EUA. Em um deles, a pergunta era: “Quem grita morte à América?”, com a opção “todas as anteriores” destacada.
Netanyahu também se dirigiu diretamente aos reféns mantidos pelo Hamas, prometendo que não foram esquecidos. Para o público, chegou a exibir um QR Code no paletó, que, segundo ele, mostrava as razões pelas quais Israel “deve lutar e vencer”.
Rejeição às acusações de genocídio
Em resposta às críticas da comunidade internacional, Netanyahu negou que Israel ataque deliberadamente civis ou provoque fome em Gaza. Ele afirmou que milhões de panfletos foram lançados no território pedindo para que moradores evacuassem áreas de risco e acusou o Hamas de confiscar e revender ajuda humanitária.
“Aqueles que falam em genocídio ignoram os fatos. Os nazistas pediram aos judeus que saíssem? Não. Israel pede à população civil que se afaste do perigo”
declarou.
Confronto diplomático
O primeiro-ministro também reagiu ao reconhecimento do Estado Palestino por países como França e Reino Unido, classificando a decisão como “suicídio nacional” para Israel. “É loucura, é insano, e não aceitaremos isso. Essa postura é vergonhosa”, afirmou.
Netanyahu encerrou o discurso sob aplausos de apoiadores na galeria superior, que ergueram os punhos em solidariedade. Em contraste, no salão principal, muitas cadeiras permaneceram vazias, inclusive a do Brasil, evidenciando a rejeição de parte da comunidade internacional ao pronunciamento.
Assista ao vídeo em que o primeiro-ministro sobe ao púlpito na ONU e é vaiado:


