O Exército de Israel confirmou, neste domingo (19), ter realizado uma série de ataques aéreos e bombardeios de artilharia contra alvos localizados no sul da Faixa de Gaza, especialmente na região de Rafah. Segundo as autoridades israelenses, a operação foi uma resposta a disparos realizados por militantes palestinos contra soldados que atuam na área.
As novas ofensivas colocam em risco o acordo de cessar-fogo firmado no dia 11 de outubro, mediado pelos Estados Unidos, e reacendem as tensões na região após um breve período de trégua.
De acordo com um comunicado do Exército israelense, túneis e estruturas militares utilizadas por combatentes do Hamas foram destruídos durante as ações. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reforçou que Israel reagirá com firmeza a qualquer ataque contra suas forças.
Por outro lado, o braço armado do Hamas, as Brigadas Al-Qassam, declarou manter seu compromisso com o cessar-fogo, negando ter conhecimento dos confrontos ocorridos em Rafah. “Reafirmamos nosso total comprometimento com a implementação de todos os acordos, principalmente o cessar-fogo em toda a Faixa de Gaza”, informou o grupo em nota.
Explosões e mortes registradas em várias cidades
Moradores relataram à agência Reuters explosões em diferentes pontos do território, incluindo Rafah, Khan Younis, Zawayda e Deir Al-Balah. Segundo médicos do Hospital Al-Aqsa, pelo menos cinco pessoas morreram em consequência dos ataques.
O Ministério da Saúde de Gaza atualizou, neste domingo (19), o número de mortos para oito vítimas nas últimas 24 horas, após bombardeios israelenses em várias localidades do enclave.
Autoridades militares israelenses afirmaram que o Hamas realizou múltiplas ações contra suas tropas, incluindo o lançamento de granadas e ataques de franco-atiradores. “Esses incidentes ocorreram em áreas sob controle israelense, representando uma violação clara do cessar-fogo”, declarou um porta-voz.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, disse que a chamada “linha amarela” área limite para onde as forças israelenses recuaram, será rigidamente monitorada, e qualquer tentativa de ultrapassá-la será respondida com fogo imediato.
Acusações mútuas e tensões diplomáticas
O alto funcionário do Hamas, Izzat Al Risheq, acusou Israel de ser o verdadeiro responsável pelas repetidas violações do cessar-fogo. O governo local em Gaza afirmou que o Exército israelense cometeu 47 violações desde o início do acordo, resultando em 38 mortos e 143 feridos.
Em comunicado, o escritório de imprensa do Hamas denunciou que as ações israelenses envolveram disparos diretos contra civis, bombardeios deliberados e detenções arbitrárias.
Enquanto isso, a passagem de Rafah, na fronteira entre Gaza e o Egito, continua fechada desde maio de 2024, bloqueando o envio de ajuda humanitária. O corredor chegou a funcionar em tréguas anteriores como o principal ponto de entrada de alimentos e suprimentos para a população, que enfrenta crise severa de fome e desnutrição.
Reféns e impasse político
Israel e o Hamas ainda discutem a entrega dos corpos de reféns. O grupo palestino afirma já ter devolvido 20 reféns vivos e 12 mortos, e nega manter outros corpos em posse. Alega, contudo, que a recuperação de vítimas soterradas exige equipamentos especializados que não estão disponíveis no momento.
A proposta americana para encerrar o conflito continua sem avanços concretos. Questões centrais como o desarmamento do Hamas, a administração futura de Gaza, a criação de uma força internacional de estabilização e os planos para um Estado palestino seguem indefinidas.
Enquanto as negociações patinam, o mercado financeiro israelense reagiu à retomada dos combates: os principais índices da Bolsa de Tel Aviv registraram queda de quase 2% neste domingo.


