Wellisson dos Santos Albarado, apontado pela Polícia Federal (PF) como chefe de um núcleo logístico do Comando Vermelho (CV) no Amazonas, foi preso nesta quinta-feira (13), em Manaus, durante a Operação La Máquina.
A ação, realizada pela Polícia Federal em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Amazonas (MPAM), investiga uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro.
Segundo as investigações, Wellisson permanecia a maior parte do tempo no Rio de Janeiro, de onde supostamente enviava ordens e coordenava atividades do grupo criminoso no Amazonas. Ele foi localizado em Manaus durante o cumprimento dos mandados.
A defesa de Wellisson informou que deverá se manifestar sobre o caso após ter acesso ao inquérito.
Operação cumpre 43 mandados em oito estados
A Operação La Máquina envolve o cumprimento de 43 mandados judiciais no Amazonas e em outros sete estados: Tocantins, Roraima, Pará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará e Santa Catarina.
Até a última atualização divulgada sobre a operação, dez pessoas haviam sido presas.
As investigações apontam que o grupo teria estruturado uma ampla rede logística para realizar o transporte de entorpecentes da região amazônica para diferentes partes do país.
Aviões e pistas clandestinas eram usados no transporte
De acordo com a investigação, a organização utilizava aviões de pequeno porte e pistas clandestinas para transportar drogas a partir da Amazônia.
O esquema teria uma estrutura responsável pelo financiamento, aquisição, contratação e pilotagem das aeronaves, além de serviços relacionados à manutenção e ao abastecimento.
Após o transporte aéreo, os entorpecentes eram armazenados e posteriormente distribuídos por meio de uma logística que também utilizava rotas fluviais e terrestres.
A PF identificou ainda que pelo menos uma aeronave teria tido sua identificação adulterada. O grupo também é investigado pela aquisição e financiamento de outros aviões destinados à ampliação da estrutura logística.
Suspeito teria papel de liderança no Amazonas
Segundo a Polícia Federal, Wellisson ocupava uma posição de liderança na estrutura logística investigada no Amazonas.
Mesmo permanecendo grande parte do tempo no Rio de Janeiro, ele teria continuado responsável por coordenar atividades realizadas no estado, principalmente aquelas relacionadas ao transporte e à distribuição das drogas.
Durante as investigações, a PF também realizou uma interceptação aérea no município de Tefé, no interior do Amazonas.
Os investigadores identificaram ainda a queda e o desaparecimento de uma aeronave que pertenceria ao grupo, em uma região próxima à fronteira com a Venezuela.
Grupo teria movimentado mais de R$ 35 milhões
Além do tráfico de drogas, a investigação apura um possível esquema de lavagem de dinheiro utilizado para ocultar a origem dos recursos obtidos com as atividades criminosas.
Entre as estratégias identificadas pelos investigadores estão empresas de fachada, depósitos e transferências fracionadas, movimentações financeiras realizadas por terceiros e aquisição de patrimônio em nome de outras pessoas.
Também foram identificados investimentos em imóveis, veículos, embarcações, centros comerciais e outros empreendimentos em Manaus.
Segundo a PF, mais de R$ 35 milhões teriam sido movimentados pela organização por meio de pessoas físicas e jurídicas relacionadas aos investigados. Os valores foram considerados incompatíveis com as atividades econômicas declaradas.
Justiça determina bloqueio de R$ 7,7 milhões
Como parte da operação, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 7,7 milhões em ativos financeiros, além do sequestro de outros bens relacionados aos investigados.
Entre os patrimônios atingidos pelas medidas judiciais estão 31 veículos avaliados em aproximadamente R$ 3 milhões e dois centros comerciais localizados nos bairros Novo Aleixo e Tancredo Neves, em Manaus.
As medidas fazem parte das ações destinadas a atingir o patrimônio que, segundo a investigação, estaria relacionado às atividades do grupo.
Por que a operação recebeu o nome de La Máquina?
O nome “La Máquina” faz referência a uma expressão identificada nas comunicações analisadas durante a investigação.
Segundo a PF, “La Máquina” era o termo utilizado para se referir às aeronaves empregadas no transporte de drogas, principalmente em conversas relacionadas aos chamados “fretes” de entorpecentes.
As investigações continuam para identificar outros envolvidos e esclarecer a atuação da organização criminosa.

