Um pequeno implante inspirado nas técnicas de dobradura do origami pode abrir caminho para uma nova forma de acompanhar sinais e substâncias presentes no organismo em tempo real, reduzindo a necessidade de exames frequentes.
Batizado de MiFi (implante bioeletrônico dobrável minimamente invasivo), o dispositivo foi desenvolvido por pesquisadores do Imperial College London e da Universidade do Sul da Califórnia (USC). O estudo sobre a tecnologia foi publicado em julho na revista científica Advanced Materials.
O diferencial está no formato: o implante é inserido no corpo ainda dobrado e se expande automaticamente após a implantação, permitindo que uma estrutura relativamente grande seja colocada por meio de um procedimento menos invasivo.
Tecnologia é inspirada em origami
Produzido com material flexível, o MiFi possui uma estrutura semelhante a um acordeão, capaz de permanecer compacta durante a inserção e posteriormente se abrir dentro do organismo.
Quando totalmente expandido, o dispositivo mede aproximadamente 2,1 centímetros de lado e apenas 0,3 milímetro de espessura.
Essa característica permite ampliar a superfície disponível para sensores e outros componentes eletrônicos sem exigir que o implante tenha o mesmo tamanho durante o procedimento de inserção.
A proposta busca superar algumas limitações dos atuais dispositivos vestíveis. Apesar de relógios inteligentes e outros sensores conseguirem acompanhar diferentes indicadores, a própria pele funciona como uma barreira para a detecção de determinados sinais químicos presentes dentro do organismo.
Implantes convencionais podem acessar essas informações diretamente, mas alguns modelos são maiores, necessitam de baterias ou dependem de procedimentos mais invasivos.
Implante funciona sem bateria
Outro diferencial da tecnologia é que o MiFi não precisa de uma bateria implantada no organismo para funcionar.
O sistema utiliza uma tecnologia de comunicação por proximidade semelhante à encontrada em pagamentos por aproximação. Dessa forma, o dispositivo consegue receber energia e transmitir informações para um leitor externo sem a necessidade de fios.
Durante os experimentos, os pesquisadores conseguiram transmitir sinais através de tecidos a uma distância superior a 20 milímetros.
A ausência de uma bateria convencional pode contribuir para reduzir o tamanho e a complexidade do dispositivo, além de eliminar a necessidade de procedimentos destinados exclusivamente à troca da fonte de energia.
Sensores podem acompanhar diferentes sinais
Os cientistas desenvolveram diferentes versões do implante para avaliar sua capacidade de acompanhar indicadores do organismo.
Entre os parâmetros monitorados estão frequência cardíaca, respiração, temperatura e acidez dos tecidos.
Uma das versões também foi capaz de detectar níveis de lítio no fluido localizado ao redor das células. A possibilidade pode ser relevante futuramente para o acompanhamento de pacientes que utilizam medicamentos à base da substância e precisam controlar seus níveis no organismo.
A tecnologia poderia permitir que determinados parâmetros internos fossem monitorados continuamente e enviados sem fio para dispositivos próximos, oferecendo aos profissionais de saúde informações sem depender exclusivamente de coletas frequentes de sangue.
Tecnologia ainda não foi testada em humanos
Apesar dos resultados, o implante ainda está em fase experimental e não está disponível para utilização clínica.
Até o momento, os pesquisadores realizaram experimentos em tecidos e em ratos, demonstrando que o sistema consegue operar em um ambiente biológico.
Novos estudos ainda serão necessários para avaliar a segurança, a eficácia e o funcionamento da tecnologia antes que testes e aplicações em seres humanos possam avançar.
Caso os resultados sejam confirmados em pesquisas futuras, o formato dobrável poderá ampliar as possibilidades de utilização de dispositivos bioeletrônicos no acompanhamento de diferentes condições de saúde.

