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Saúde

Estudo aponta que reprogramação de células de defesa pode ajudar no combate ao Alzheimer

Pesquisa realizada com animais indica que alteração no funcionamento da microglia pode favorecer a remoção de proteínas tóxicas do cérebro; estratégia ainda não foi testada clinicamente em humanos
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Uma estratégia capaz de reprogramar células de defesa do sistema nervoso central apresentou resultados promissores no combate a alterações associadas à doença de Alzheimer. A descoberta faz parte de um estudo conduzido por pesquisadores da Espanha e da Suíça.

A pesquisa indica que a modulação de determinados mecanismos biológicos pode fazer com que a microglia, célula responsável por funções de defesa e manutenção do cérebro, passe de um estado associado à doença para um perfil considerado protetor.

Um dos principais efeitos observados foi o aumento da capacidade de eliminar placas formadas pelo acúmulo de proteínas tóxicas no cérebro, uma das características biológicas relacionadas ao Alzheimer.

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Como funciona a reprogramação das células

A estratégia investigada envolve um mecanismo relacionado à enzima PM20D1 (Peptidase M20 Domain Containing 1) e à molécula metabólica OLE (N-oleoil-Leucina).

A PM20D1 está relacionada à regulação do metabolismo e a mecanismos de proteção contra alterações neurodegenerativas. Entre suas funções está a produção da OLE, que pode atuar sobre as células da microglia.

Segundo os pesquisadores, a ativação desse mecanismo consegue modificar o comportamento da microglia e estimular uma resposta potencialmente protetora no cérebro.

A OLE também ativa um conjunto de genes conhecidos como PIGs (Genes Induzidos por Placas). Esses genes apresentam alterações na microglia localizada ao redor das chamadas placas amiloides.

O que são as placas amiloides?

As placas amiloides são acúmulos anormais de proteínas entre os neurônios e constituem uma das principais características biológicas observadas no cérebro de pessoas com Alzheimer.

A doença é um transtorno neurodegenerativo progressivo que compromete funções como memória e capacidade cognitiva.

Alterações no processamento de proteínas do sistema nervoso central podem contribuir para o acúmulo de substâncias prejudiciais, afetando o funcionamento dos neurônios e favorecendo sua degeneração.

Na estratégia analisada pelos pesquisadores, a OLE ajudou a estimular mecanismos envolvidos na remoção das placas amiloides.

Pesquisa também identificou efeito nos neurônios

Além da atuação sobre a microglia, os cientistas observaram efeitos relacionados à proteção dos próprios neurônios.

A reprogramação investigada apresentou potencial para aumentar a neuroproteção e melhorar a resposta das células ao estresse oxidativo, processo que pode provocar danos celulares e prejudicar a comunicação entre os neurônios.

A combinação entre redução das placas amiloides e proteção neuronal foi associada, nos experimentos, a uma recuperação de determinadas funções cognitivas.

Testes apresentaram melhora cognitiva em camundongos

Os pesquisadores realizaram experimentos utilizando diferentes modelos, incluindo camundongos, vermes e culturas celulares em laboratório.

Nos testes com camundongos, a OLE foi administrada por via oral. Os resultados mostraram redução das placas presentes no cérebro e recuperação de funções cognitivas nos animais tratados.

Experimentos complementares também foram realizados em vermes e em culturas de células in vitro, permitindo aos pesquisadores analisar diferentes aspectos do mecanismo.

Tratamento ainda não está disponível para humanos

Apesar dos resultados considerados promissores, a estratégia permanece em fase experimental e não representa atualmente um tratamento disponível contra o Alzheimer.

Os experimentos foram realizados principalmente em modelos animais e laboratoriais, e ainda não foi estabelecida uma dose considerada segura e eficaz para utilização clínica em seres humanos.

Novas pesquisas serão necessárias para avaliar fatores como segurança, dosagem, possíveis efeitos adversos e eficácia antes que uma eventual aplicação em pacientes possa ser considerada.

Os resultados, entretanto, apresentam uma possível nova linha de investigação para terapias direcionadas ao sistema imunológico do cérebro e aos mecanismos envolvidos no acúmulo de proteínas associado ao Alzheimer.

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