Rede MLC
Nacional

Contagem do tempo mundial vai mudar em 2027; entenda o que acontece com os relógios

Decisão internacional elimina ajustes de segundos intercalares e busca evitar falhas em sistemas digitais, transportes e telecomunicações
Publicidade

A maneira como o mundo mede e sincroniza o tempo passará por uma mudança a partir de 20 de maio de 2027. Uma resolução aprovada nesta quinta-feira (15) pela Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM) estabelece uma nova regra para o Tempo Universal Coordenado (UTC), referência utilizada para definir os horários oficiais em grande parte do planeta.

A principal alteração é o fim dos ajustes feitos por meio dos chamados segundos intercalares, utilizados para compensar pequenas diferenças entre os relógios atômicos e a rotação da Terra.

A medida pretende tornar a contagem do tempo mais contínua e previsível, reduzindo riscos de falhas em sistemas tecnológicos que dependem de sincronização precisa.

Publicidade

Apesar da mudança, os anos bissextos continuarão existindo. A decisão afeta a inclusão ou retirada de segundos na contagem do tempo, e não o dia extra acrescentado ao calendário em fevereiro.

Por que o mundo precisa ajustar os relógios?

Embora pareça que todos os dias tenham exatamente a mesma duração, a velocidade de rotação da Terra apresenta pequenas variações.

Essas mudanças fazem com que o tempo baseado no movimento do planeta não corresponda perfeitamente ao tempo medido por relógios atômicos.

Atualmente, duas referências são utilizadas nesse acompanhamento:

  • UTC (Tempo Universal Coordenado): escala internacional usada como referência para os horários civis e a sincronização de sistemas.
  • UT1: escala baseada na rotação da Terra, relacionada à posição do planeta em relação ao espaço.

Para manter essas referências próximas, são utilizados os chamados segundos intercalares.

Na prática, o mecanismo permite acrescentar ou retirar um segundo da contagem oficial quando necessário.

O que são segundos intercalares?

Os segundos intercalares são pequenos ajustes realizados para compensar a diferença acumulada entre o tempo atômico e a rotação terrestre.

Quando um segundo é acrescentado, por exemplo, a contagem do relógio pode apresentar um instante adicional antes da passagem para o minuto seguinte.

Embora a alteração seja praticamente imperceptível para a maioria das pessoas, ela exige adaptações em equipamentos e sistemas digitais.

O problema é que nem todas as tecnologias processam esses ajustes da mesma maneira.

Essa falta de uniformidade pode gerar inconsistências em serviços que precisam registrar acontecimentos com precisão de frações de segundo.

O que muda a partir de maio de 2027?

A resolução aprovada durante a 28ª reunião da Conferência Geral de Pesos e Medidas, realizada entre os dias 13 e 15 de outubro, em Versalhes, na França, estabelece uma escala contínua para o UTC.

Com a mudança, a diferença entre o UTC e o UT1 poderá alcançar até 3.600 segundos, o equivalente a uma hora.

Atualmente, os segundos intercalares são utilizados para impedir que essa diferença cresça além de limites muito menores.

O novo parâmetro permitirá que a contagem oficial continue sem a necessidade de pequenos ajustes frequentes, garantindo estabilidade por vários séculos, conforme a resolução.

A implementação será acompanhada pelo Bureau Internacional de Pesos e Medidas (BIPM), responsável pela manutenção do UTC em colaboração com instituições internacionais.

Por que a mudança é importante para a tecnologia?

A sincronização precisa dos relógios é fundamental para o funcionamento de diferentes serviços utilizados diariamente.

Entre os setores que dependem dessa precisão estão:

  • Telecomunicações: redes de telefonia e transmissão de dados precisam manter seus sistemas sincronizados.
  • Transportes: operações aéreas, ferroviárias e outros sistemas utilizam referências temporais precisas.
  • Distribuição de energia: redes elétricas dependem de sincronização para determinadas operações e sistemas de monitoramento.
  • Tecnologia e informática: servidores, bancos de dados e plataformas digitais precisam registrar eventos em sequência.
  • Projetos espaciais: operações e equipamentos científicos exigem medições temporais extremamente precisas.

Segundo a conferência, a introdução de segundos intercalares pode causar dificuldades quando diferentes sistemas adotam métodos distintos para lidar com os ajustes.

A adoção de uma escala contínua busca diminuir essas incompatibilidades.

Cientistas também estudam a possibilidade de retirar um segundo

Outro fator considerado na decisão foi a possibilidade de a rotação terrestre exigir, no futuro, um segundo intercalar negativo.

Diferentemente do ajuste tradicional, que acrescenta um segundo, esse procedimento retiraria um segundo da contagem oficial.

Uma avaliação realizada em março de 2025 por especialistas em rotação terrestre estimou em 30% a probabilidade de necessidade desse tipo de ajuste até 2035.

O estudo foi discutido durante um encontro organizado pelo Comitê Consultivo de Tempo e Frequência (CCTF) e pelo Serviço Internacional de Rotação da Terra e Sistemas de Referência (IERS).

A possibilidade reforçou a preocupação com a adaptação de sistemas tecnológicos a diferentes tipos de correção temporal.

Os anos bissextos também vão acabar?

Não. A mudança não elimina os anos bissextos.

Apesar de ambos envolverem ajustes na contagem do tempo, os mecanismos possuem finalidades diferentes.

O ano bissexto acrescenta um dia ao mês de fevereiro em determinados anos para manter o calendário alinhado ao movimento de translação da Terra ao redor do Sol.

Já o segundo intercalar é utilizado para compensar diferenças entre a rotação terrestre e a escala internacional de tempo.

Portanto, a decisão anunciada pela CGPM não altera a existência do dia 29 de fevereiro nem modifica a duração convencional dos anos no calendário.

O que acontece agora?

A resolução determina que o BIPM continue trabalhando com organizações internacionais e institutos de metrologia para orientar a implementação da nova regra.

O órgão também deverá acompanhar a diferença entre UTC e UT1 e apresentar relatórios periódicos ao Comitê Internacional de Pesos e Medidas (CIPM).

Para a população, a mudança não deverá provocar alterações perceptíveis na rotina.

O principal impacto estará nos sistemas tecnológicos que utilizam o tempo oficial como referência, permitindo uma contagem mais estável e contínua a partir de 20 de maio de 2027.

Leia mais

Interpol passa a apoiar buscas por irmãos desaparecidos há oito meses no Maranhão

Brenda Gomes

7 de Setembro: entenda a história por trás do feriado da Independência do Brasil

Brenda Gomes

Ciclone extratropical provoca alerta para ventos de até 100 km/h em SP e RJ

Brenda Gomes

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Entendemos que você está de acordo com isso, mas você pode cancelar, se desejar. Aceito Leia Mais