Rede MLC
Nacional

Maioridade penal provoca impasse na votação da PEC da Segurança

Governo Lula tenta aprovar proposta no Senado sem mudanças, enquanto oposição insiste em incluir a redução da idade de responsabilização criminal
Publicidade

A votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, prevista para esta terça-feira (3), no Senado Federal, enfrenta um novo impasse político. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta impedir que a discussão sobre a redução da maioridade penal atrase a aprovação da proposta.

A estratégia do Palácio do Planalto é manter o texto aprovado pela Câmara dos Deputados em março, evitando alterações que obrigariam a matéria a retornar para uma nova análise dos deputados.

A oposição, entretanto, pretende insistir na votação de uma emenda que prevê a redução da maioridade penal, atualmente fixada em 18 anos.

Publicidade

Governo quer separar as propostas

Após reunião com lideranças governistas, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que a orientação é aprovar a PEC sem incorporar novas emendas.

Segundo ele, a discussão sobre a maioridade penal deve ocorrer em uma proposta específica que já tramita na Câmara dos Deputados.

“Nós não queremos nenhuma emenda, vamos separar. Vamos separar e votar em outro momento, na outra PEC, por exemplo, a PEC que está tramitando na Câmara”, declarou.

A PEC da Segurança Pública é considerada uma das prioridades do governo Lula. Entre seus objetivos está o fortalecimento da integração entre União, estados e municípios no enfrentamento à criminalidade.

O Executivo também considera a aprovação da proposta importante para viabilizar a criação do Ministério da Segurança Pública.

Oposição insiste na redução da maioridade penal

O principal ponto de conflito envolve uma proposta defendida pela oposição que estabelece maioridade penal aos 16 anos para crimes comuns e aos 14 anos para crimes hediondos.

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que manterá o pedido de votação separada da emenda, mesmo diante da tentativa do governo de retirar o tema da discussão.

Marinho declarou que a mudança conta com amplo apoio popular, embora não tenha apresentado, na ocasião, dados que comprovassem o percentual citado.

O senador também reconheceu que ainda não há garantia de votos suficientes para aprovar a alteração.

Divergência também envolve parlamentares governistas

A discussão ganhou força após o senador Camilo Santana (PT-CE) apresentar uma emenda propondo a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos.

A iniciativa provocou divergências dentro da própria base governista e abriu espaço para que a oposição exigisse a votação específica do tema.

Diante do impasse, o governo passou a defender que as propostas sobre responsabilização penal de adolescentes sejam encaminhadas para uma PEC independente.

A alternativa já havia sido adotada durante a tramitação da matéria na Câmara dos Deputados, quando a redução da maioridade penal foi retirada do texto principal.

O que acontece se a PEC for alterada?

Para uma proposta de emenda à Constituição ser promulgada, é necessário que Câmara e Senado aprovem o mesmo texto, em dois turnos de votação, com apoio de três quintos dos parlamentares de cada Casa.

Caso os senadores aprovem mudanças no conteúdo da PEC da Segurança, a matéria poderá precisar retornar à Câmara, prolongando sua tramitação.

Por isso, o governo busca preservar a versão já aprovada pelos deputados e concentrar o debate sobre a maioridade penal em outra proposta.

O relator da PEC na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Rogério Carvalho (PT-SE), deverá encaminhar a discussão sobre o tema para a proposta específica em tramitação na Câmara.

A expectativa do governo é concluir a votação ainda nesta terça-feira (3), mas a insistência da oposição em analisar a emenda mantém o resultado incerto.

Leia mais

Contagem do tempo mundial vai mudar em 2027; entenda o que acontece com os relógios

Brenda Gomes

Interpol passa a apoiar buscas por irmãos desaparecidos há oito meses no Maranhão

Brenda Gomes

7 de Setembro: entenda a história por trás do feriado da Independência do Brasil

Brenda Gomes

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Entendemos que você está de acordo com isso, mas você pode cancelar, se desejar. Aceito Leia Mais