Tio da vítima também foi preso. O adolescente, de apenas 12 anos, ficou cego por conta das agressões
O pai e o tio de um adolescente, de apenas 12 anos, foram presos pela Polícia Civil na sexta-feira após várias denúncias do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de São Gabriel da Cachoeira, interior do Amazonas.
Eles são suspeitos de espancar e torturar o menor de idade. A vítima criou um coágulo na cabeça e ficou cega devido às agressões constantes.
No dia em que foi resgatado, o adolescente apresentava vários sinais de desnutrição extrema e já estava perdendo os movimentos das pernas.
Segundo o delegado Paulo Mavignier, o adolescente morava com a mãe, mas costumava passar os fins de semana com o pai, era quando as agressões aconteciam.
“O próprio adolescente, quando eu o visitei no hospital, me relatou que era agredido e que o tio auxiliava o pai, o segurando e o amarrando. Ele disse que era agredido com uma barra de ferro, com tijolos, e que o pai fazia menção a rituais satânicos no momento em que o agredia, sempre com a ajuda do tio”, contou o delegado.
Apesar disso, as investigações descartaram os rituais. O delegado afirma que na verdade, quando as agressões ocorriam, o pai estava embriagado e falava coisas desconexas.
“Em relação aos rituais satânicos, isso foi relatado pela criança e pelo psicólogo do CRAS, e teoricamente, as agressões seriam uma espécie de oferenda da criança à uma entidade. E nós confirmamos que não era nada disso. As agressões eram por conta da embriaguez do pai e do tio e eles usavam esse artifício de que o garoto estava envolvido em alguma coisa obscura, maligna. A situação de agressão justificaria a libertação dessa criança, mas isso era coisa do pai quando ele estava alcoolizado”, diz o delegado.
A polícia não soube informar exatamente há quanto tempo o menino sofria as agressões, mas ressalta que as costas dele tinham várias lesões recentes provocadas por barra de ferro ou fios elétricos.
O estado de saúde dele nas últimas semanas, também chamou a atenção para que o caso fosse denunciado. A polícia investiga se a mãe era conivente com a situação, uma vez que não se atentou para os ferimentos do menor.
O delegado Paulo relata que no momento da prisão, nem o tio, nem o pai pareceram surpresos, mas agiram com extrema frieza. O pai chegou a questionar os policiais se o filho “já havia morrido”.
“A frieza do pai nos chamou a atenção, no momento em que eu abordei ele e disse que ele estava preso, ele disse: É por causa do meu filho é? Ele já morreu?”
O pai e o tio permanecem presos em São Gabriel da Cachoeira e vão responder por tortura e maus-tratos e omissão de socorro, além de outros crimes.
A vítima foi trazida para Manaus e segue internada. O menor recebe acompanhamento médico, pois corria risco de morte, mas os profissionais já informaram que ele não conseguirá mais voltar a enxergar.


