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Setembro Amarelo: Dr. Ewerton fala sobre os sinais de alerta e os tabus em torno do suicídio

FOTO: Clóvis Nobre/ Rede MLC
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Especialista destaca fatores de risco, sinais de alerta e a importância do acolhimento no combate ao suicídio

Hoje, no Deixa que eu Pergunto, recebemos o Dr. Ewerton, PhD em Psicologia pela USP, Mestre em Educação pela UFAM e docente de graduação em Psicologia.
No mês dedicado à prevenção ao suicídio, ele compartilha reflexões importantes sobre a dor, os sinais de alerta e os caminhos de acolhimento.

O suicídio não é sobre a morte, mas sobre a dor

Segundo o Dr. Ewerton, é preciso compreender que “o suicida não quer, de fato, se matar. Ele quer colocar fim à dor que sente.” Esse sofrimento, explica, pode nascer de diferentes fatores, como baixa autoestima, solidão, sobrecarga de cobranças externas e internas, bullying ou até mesmo pressões familiares.

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Ele lembra que o suicídio é multifatorial e não pode ser reduzido a uma única causa: “Não existe uma razão isolada, mas uma soma de dores, vivências e contextos que tornam a vida insuportável.”

O mito de Atlas e a sobrecarga

Para exemplificar, o psicólogo cita o mito de Atlas, condenado a carregar o mundo sobre os ombros.

“Vivemos em uma sociedade em que a autocobrança está muito presente. Jovens e adultos carregam pesos que, muitas vezes, não conseguem mais suportar.”

A pressão familiar também se destaca: pais que exigem dos filhos desempenho perfeito na escola ou que projetam expectativas inalcançáveis contribuem para que muitos jovens sintam que “não cabem mais no mundo”.

FOTO: Clóvis Nobre/Rede MLC

Dados alarmantes

No mundo, em média, 700 pessoas tiram a própria vida a cada 40 segundos. Entre 15 e 26 anos está a faixa etária mais vulnerável. O suicídio é hoje a terceira maior causa de morte no mundo e a quarta no Brasil.
O problema também atinge populações específicas: entre povos indígenas, por exemplo, a taxa de suicídio é três vezes maior que a média nacional.

Os 3 “Ds”: desamparo, desesperança e desespero

Dr. Ewerton destaca três sentimentos que funcionam como gatilhos:

  • Desamparo: tristeza profunda, apatia, olhar vazio.

  • Desesperança: quando não há perspectiva de futuro, abandono de hábitos básicos como higiene e alimentação.

  • Desespero: a sensação de que não existe mais saída.

Sinais de alerta

O psicólogo reforça que a atenção da família e amigos é essencial. Alguns sinais que podem indicar risco incluem:

  • Isolamento social;

  • Mudanças bruscas de comportamento (como uma alegria repentina e exagerada);

  • Automutilação;

  • Descuido com a própria saúde;

  • Fala frequente sobre culpa ou falta de sentido na vida.

Ele ressalta:

“É preciso perguntar, conversar, abrir espaço para que a pessoa reflita sobre o que a está levando a sentir isso. O silêncio pode ser fatal.”

Quebrar tabus e acolher

Para o Dr. Ewerton, a informação é a maior arma contra o suicídio. “A sociedade precisa de informação para romper tabus e educar para transformar.”
Ele alerta que a psicologia e o acolhimento cultural são fundamentais, especialmente quando falamos de realidades diversas, como a dos povos originários:

“É preciso conhecer o outro, respeitar sua cultura e abrir a mente para convivermos com aquilo que não é nossa vivência.”

Mensagem final

Encerrando a entrevista, o psicólogo deixa uma mensagem de esperança:

“Quando a noite te parecer muito escura, apenas lembre que no outro dia o sol vai nascer por e para você. Procure ajuda!”

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