Especialista destaca fatores de risco, sinais de alerta e a importância do acolhimento no combate ao suicídio
Hoje, no Deixa que eu Pergunto, recebemos o Dr. Ewerton, PhD em Psicologia pela USP, Mestre em Educação pela UFAM e docente de graduação em Psicologia.
No mês dedicado à prevenção ao suicídio, ele compartilha reflexões importantes sobre a dor, os sinais de alerta e os caminhos de acolhimento.
O suicídio não é sobre a morte, mas sobre a dor
Segundo o Dr. Ewerton, é preciso compreender que “o suicida não quer, de fato, se matar. Ele quer colocar fim à dor que sente.” Esse sofrimento, explica, pode nascer de diferentes fatores, como baixa autoestima, solidão, sobrecarga de cobranças externas e internas, bullying ou até mesmo pressões familiares.
Ele lembra que o suicídio é multifatorial e não pode ser reduzido a uma única causa: “Não existe uma razão isolada, mas uma soma de dores, vivências e contextos que tornam a vida insuportável.”
O mito de Atlas e a sobrecarga
Para exemplificar, o psicólogo cita o mito de Atlas, condenado a carregar o mundo sobre os ombros.
“Vivemos em uma sociedade em que a autocobrança está muito presente. Jovens e adultos carregam pesos que, muitas vezes, não conseguem mais suportar.”
A pressão familiar também se destaca: pais que exigem dos filhos desempenho perfeito na escola ou que projetam expectativas inalcançáveis contribuem para que muitos jovens sintam que “não cabem mais no mundo”.

Dados alarmantes
No mundo, em média, 700 pessoas tiram a própria vida a cada 40 segundos. Entre 15 e 26 anos está a faixa etária mais vulnerável. O suicídio é hoje a terceira maior causa de morte no mundo e a quarta no Brasil.
O problema também atinge populações específicas: entre povos indígenas, por exemplo, a taxa de suicídio é três vezes maior que a média nacional.
Os 3 “Ds”: desamparo, desesperança e desespero
Dr. Ewerton destaca três sentimentos que funcionam como gatilhos:
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Desamparo: tristeza profunda, apatia, olhar vazio.
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Desesperança: quando não há perspectiva de futuro, abandono de hábitos básicos como higiene e alimentação.
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Desespero: a sensação de que não existe mais saída.
Sinais de alerta
O psicólogo reforça que a atenção da família e amigos é essencial. Alguns sinais que podem indicar risco incluem:
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Isolamento social;
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Mudanças bruscas de comportamento (como uma alegria repentina e exagerada);
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Automutilação;
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Descuido com a própria saúde;
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Fala frequente sobre culpa ou falta de sentido na vida.
Ele ressalta:
“É preciso perguntar, conversar, abrir espaço para que a pessoa reflita sobre o que a está levando a sentir isso. O silêncio pode ser fatal.”
Quebrar tabus e acolher
Para o Dr. Ewerton, a informação é a maior arma contra o suicídio. “A sociedade precisa de informação para romper tabus e educar para transformar.”
Ele alerta que a psicologia e o acolhimento cultural são fundamentais, especialmente quando falamos de realidades diversas, como a dos povos originários:
“É preciso conhecer o outro, respeitar sua cultura e abrir a mente para convivermos com aquilo que não é nossa vivência.”
Mensagem final
Encerrando a entrevista, o psicólogo deixa uma mensagem de esperança:
“Quando a noite te parecer muito escura, apenas lembre que no outro dia o sol vai nascer por e para você. Procure ajuda!”


