As estatais federais controladas pela União registraram um déficit primário recorde de R$ 18,5 bilhões durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo dados do Banco Central. O valor, que exclui Petrobras e bancos públicos, é o maior da série histórica e acende o alerta sobre a situação financeira das empresas públicas brasileiras.
O resultado negativo é atribuído a uma combinação de fatores, como decisões de investimento arriscadas, aumento de despesas com pessoal e uso político das estatais, além da falta de profissionais qualificados na gestão.
O caso mais emblemático é o dos Correios, que recentemente pediram um empréstimo de R$ 20 bilhões e anunciaram um plano de reestruturação para tentar reverter a crise financeira.
Gestão política e estrutura ineficiente
Especialistas apontam que muitas estatais são tratadas como instrumentos políticos, e não como empresas com foco em eficiência e sustentabilidade. A alta quantidade de cargos comissionados, gastos com publicidade e investimentos fora da área de atuação principal têm contribuído para o desequilíbrio financeiro.
Além disso, os custos operacionais aumentaram em razão da inflação, dos preços elevados de energia e insumos e da baixa competitividade dessas empresas, que frequentemente dependem de subsídios do governo para manter as operações.
Investimentos de longo prazo e retorno limitado
O governo também tem priorizado investimentos de longo prazo, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e gastos em áreas de retorno incerto, como publicidade institucional. Essas decisões drenam recursos de empresas que já operam no vermelho, agravando a situação fiscal.
Estatais mais afetadas
De acordo com o Ministério da Gestão e Inovação (MGI), as cinco estatais que mais acumularam prejuízos no governo Lula 3 são:
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Correios
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CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos)
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Embrapa
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Infraero
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Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh)
Empresas de capital misto, como o Banco do Brasil, também foram impactadas pela alta da taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, e pela inadimplência no setor agrícola, resultando em forte queda nos lucros e redução nos dividendos pagos aos acionistas.
Mudança de cenário em relação aos primeiros mandatos
O desempenho atual contrasta com as duas primeiras gestões de Lula, quando as estatais apresentavam crescimento e lucros elevados, impulsionadas pelo boom das commodities e pelo superávit fiscal herdado do governo Fernando Henrique Cardoso.
Hoje, o cenário é de governança fragilizada, custos altos e baixa eficiência operacional, o que tem ampliado a dependência das empresas públicas em relação ao Tesouro Nacional e reacendido o debate sobre privatizações, transparência e o papel das estatais na economia brasileira.


