O mercado de trabalho para engenheiros no Amazonas segue com boas oportunidades, especialmente impulsionado pelo Polo Industrial de Manaus. No entanto, a dificuldade em preencher essas vagas revela um problema recorrente: a falta de qualificação adequada dos profissionais recém-formados.
Segundo o professor de engenharia Frederico Cesarino, a raiz dessa questão começa ainda na formação acadêmica. Para ele, parte das instituições de ensino superior não está cumprindo seu papel de preparar os alunos para a realidade do mercado.
“Algumas universidades estão mais interessadas na venda do diploma do que na capacitação do profissional. Então eles se formam sem saber o básico da profissão”, afirma.
Apesar desse cenário, o Amazonas continua sendo um território fértil para quem busca crescimento na engenharia. De acordo com Cesariano, as vagas existem, e não são poucas. O problema está no desalinhamento entre o que o mercado exige e o que muitos profissionais entregam.
“Ainda sobram vagas. O que faltam são profissionais qualificados para a realidade do Polo Industrial de Manaus”, destaca.
Outro ponto crítico levantado pelo especialista são os erros cometidos no início da carreira. A falta de experiência prática, por exemplo, é um dos principais fatores que dificultam a inserção no mercado.
“Começar a carreira sem ter experiência de estágio, sem conhecer o que o mercado quer, e não se capacitar nas habilidades básicas de comunicação e gestão são falhas recorrentes”, explica.
Além da formação técnica, o professor chama atenção para a importância das chamadas soft skills, como comunicação, liderança e gestão, cada vez mais exigidas pelas empresas. Para ele, o engenheiro moderno precisa ir além do conhecimento teórico para se destacar em um ambiente competitivo.
Mesmo com os desafios, o Amazonas é visto como um grande campo de desenvolvimento profissional. Cesariano, que iniciou sua trajetória no estado, reforça o potencial da região como uma verdadeira escola para engenheiros.
“Aqui é uma excelente escola e te habilita a trabalhar em qualquer lugar do Brasil. Eu faria tudo de novo”, afirma.
Nesse contexto, o CREA-AM (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas) desempenha um papel essencial na fiscalização do exercício profissional e na valorização da engenharia, garantindo que a atuação dos profissionais esteja alinhada com padrões técnicos e éticos. A entidade também reforça a importância de uma formação sólida, conectada às demandas reais do mercado.
Diante desse cenário, o caminho para quem deseja aproveitar as oportunidades no estado passa, inevitavelmente, por qualificação contínua, experiência prática e desenvolvimento de habilidades além da técnica, fatores decisivos para transformar vagas disponíveis em carreiras de sucesso.


