Uma das maiores operações policiais já realizadas no Rio de Janeiro, na última terça-feira (28/10), terminou com 121 mortos e mais de 100 pessoas presas, segundo dados oficiais da Polícia Civil. A ação, que mobilizou cerca de 2,5 mil agentes, teve como principal alvo o Comando Vermelho, nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte da capital.
Entre os resultados da megaoperação, chamou atenção a quantidade de armamento pesado apreendido. Segundo a polícia, foram recolhidos ao menos 93 fuzis, número que, segundo o governador Cláudio Castro, pode ultrapassar a marca de 100 unidades. Ele celebrou o feito nas redes sociais, destacando uma foto com dezenas de armas apreendidas.
“O Rio de Janeiro termina o dia com uma imagem que fala por si: mais de 100 fuzis apreendidos pelas Polícias Civil e Militar”
Escreveu o governador.
A dimensão do arsenal reacende um questionamento recorrente: como tamanha quantidade de armas de guerra chega às mãos de grupos criminosos no Brasil?
Especialistas em segurança pública apontam que a maioria dos fuzis apreendidos é de fabricação estrangeira, vindos principalmente dos Estados Unidos e países da Europa Oriental. O armamento entra no país por rotas clandestinas que passam pelas fronteiras do Paraguai, Bolívia e Uruguai, aproveitando brechas na fiscalização.
Parte dessas armas é desviada de estoques legais, adquirida em mercados paralelos e revendida por intermediários ligados a organizações criminosas que atuam em escala internacional. Uma vez no país, as armas são transportadas até os grandes centros urbanos, como Rio de Janeiro e São Paulo, por meio de rotas que misturam contrabando, tráfico de drogas e corrupção.
Enquanto as forças de segurança comemoram a maior apreensão de fuzis já registrada no estado, o episódio reforça o desafio de conter um fluxo que continua alimentando o poder de fogo das facções brasileiras.


