A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) atualizou, nesta quinta-feira (13), as projeções para o El Niño e elevou para 95% a probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026.
A estimativa representa um avanço significativo em relação ao boletim divulgado em julho, quando a agência norte-americana apontava 81% de chance de um El Niño muito forte durante o mesmo período.
Para o intervalo entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, que compreende o fim da primavera e o início do verão no Hemisfério Sul, a NOAA estima em 90% a possibilidade de o fenômeno permanecer em intensidade muito elevada.
Além disso, com base nas atuais projeções da temperatura do oceano, há 69% de chance de este episódio ficar entre os maiores eventos de El Niño registrados desde 1950.
Pacífico apresenta aquecimento acelerado
A atualização ocorre em meio à intensificação do aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, principal indicador utilizado para acompanhar a formação e o desenvolvimento do El Niño.
Em julho, o índice semanal da região conhecida como Niño 3.4 estava em +1,2°C. Já na atualização das condições oceânicas publicada em 10 de agosto, a anomalia chegou a +1,8°C.
Isso significa que, em aproximadamente um mês, a temperatura nessa região do Pacífico passou de 1,2°C para 1,8°C acima da média.
O patamar de +1,8°C já é compatível com condições de El Niño de forte intensidade, embora a classificação e a evolução do fenômeno dependam da persistência dessas temperaturas e de outros indicadores atmosféricos e oceânicos.
O que é o El Niño?
O El Niño é uma das fases do fenômeno climático conhecido como El Niño-Oscilação Sul (ENOS). Ele é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial.
De maneira geral, o fenômeno é identificado quando as temperaturas nessa região permanecem pelo menos 0,5°C acima da média por determinado período.
Os episódios de El Niño costumam ocorrer em intervalos de aproximadamente dois a sete anos e podem provocar alterações importantes nos padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.
A La Niña, por outro lado, representa a fase oposta do ENOS e é caracterizada pelo resfriamento anormal das águas do Pacífico Equatorial.
El Niño pode reduzir chuvas no Norte do Brasil
No Brasil, os impactos variam de acordo com a região, a intensidade do fenômeno e o período do ano.
Historicamente, o Sul do país tende a registrar aumento das chuvas durante episódios de El Niño, cenário que pode favorecer temporais, enchentes e cheias em determinadas áreas.
Já o Norte e parte do Nordeste podem enfrentar redução das precipitações, aumentando a possibilidade de períodos de estiagem mais prolongados.
No Sudeste e Centro-Oeste, os efeitos costumam apresentar maior irregularidade, podendo envolver temperaturas mais elevadas, chuvas mal distribuídas e alterações na passagem de frentes frias.
Com a previsão de fortalecimento do fenômeno principalmente entre o fim da primavera e o início do verão, a evolução das temperaturas do Pacífico continuará sendo acompanhada nos próximos meses.

