A Polícia Civil investiga pelo menos duas mortes no local e prendeu, nessa quinta-feira (29), o homem responsável pelo espaço.
Dezessete idosos que viviam no Lar Vovó Maris, em Contagem (Grande BH), foram encaminhados para unidades de saúde após uma fiscalização revelar condições degradantes. Segundo a prefeitura, os residentes foram encontrados famintos, com higiene precária, roupas sujas, fraldas molhas, assaduras, sarna e piolhos.
A casa de repouso foi interditada na última quarta-feira (28) após vistoria que encontrou carne estragada na cozinha, fezes de ratos nos quartos e paredes mofadas. A Polícia Civil investiga pelo menos duas mortes no local e prendeu, na quinta (29), o homem responsável pelo espaço.
“Os idosos passaram por avaliação. […] Receberam alimentação, higienização e foram acomodados nos leitos. Fizemos mobilização para trazer camas extras, equipes extras, técnicos de enfermagem e enfermeiros para poder receber esses idosos”, explicou Renata Soares, diretora do Serviço Social Autônomo de Contagem (SSA).
Até o momento, 30 idosos foram resgatados do local.

A ação conjunta da Vigilância Sanitária, Secretaria de Saúde e Polícia Civil expôs condições alarmantes: esgoto a céu aberto, fiação exposta, odor forte de urina e estrutura improvisada. A denúncia partiu de uma idosa de 86 anos, que viveu no local por nove meses e relatou negligência.
Os fiscais também alertaram para possíveis surtos de leptospirose e escabiose (sarna). A instituição, que funcionava sem alvará, já havia sido interditada em março, mas continuou operando irregularmente.
Daniel Júlio Gomes, 42, identificado como responsável pelo lar, foi preso e levado para o Ceresp Gameleira. Ele é acusado de maus-tratos e apropriação indébita – por portar o cartão de benefício de um idoso – e responde a quatro processos judiciais, incluindo uma tutela inibitória para coibir irregularidades no local.

Mortes sob suspeita de negligência
Dois óbitos estão sob investigação. O primeiro, em 13 de janeiro, envolveu o idoso Liberalino Cardoso e Morais, cujo corpo apresentava sinais de maus-tratos. A polícia constatou sujeira generalizada, falta de estrutura e equipe insuficiente – apenas duas cuidadoras para mais de 30 idosos.
O segundo caso, em 6 de maio, teve suspeita de omissão de socorro após uma idosa morrer com ferimento na testa. A médica do Samu recusou-se a emitir o atestado de óbito e encaminhou o caso ao IML.
A prefeitura reforçou que continuará monitorando o caso e garantindo assistência às vítimas.


