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Economia

Trump impõe tarifa recorde ao Brasil e favorece Argentina com menor alíquota

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Nova medida dos EUA eleva imposto sobre produtos brasileiros para 50%, enquanto governo Milei reforça laços com Trump e conquista tarifa mínima

A nova rodada de tarifas anunciada por Donald Trump começa a valer a partir de quinta-feira (7) e já traz impactos distintos para países da América do Sul. O Brasil será o mais afetado, com alíquota de 50% sobre produtos importados, enquanto a Argentina foi contemplada com a menor tarifa: 10%.

Inicialmente, o Brasil estava incluído na base de 10%, anunciada por Trump em abril, no chamado “Dia da Libertação”. Mas, na última quarta-feira (30), o presidente dos EUA confirmou que essa tarifa subiria em 40 pontos percentuais, elevando o imposto a 50% a mais alta entre os países listados.

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A justificativa do governo americano é política. Em decreto assinado na quinta-feira (31), Trump acusou o governo Lula de ameaçar a segurança nacional dos EUA, violar direitos humanos e perseguir politicamente o ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento afirma que “políticas e práticas recentes do Brasil interferem na economia e nas liberdades dos cidadãos norte-americanos”.

Além da sobretaxa, o governo Trump tem adotado sanções contra membros do Judiciário brasileiro, incluindo a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, após a decisão que obrigou Bolsonaro a usar tornozeleira eletrônica.

Enquanto isso, a Argentina vive outro cenário. Sob o comando de Javier Milei, o país conseguiu manter a alíquota mínima de 10%, destinada a nações com superávit norte-americano na balança comercial. Em 2024, os EUA exportaram mais à Argentina do que importaram, gerando um saldo positivo de US$ 275,4 milhões, segundo dados do Mercosul.

Foto: Reprodução

Milei, que tem se aproximado ideologicamente de Trump, já expressou apoio a pautas alinhadas ao republicano em fóruns internacionais. Em redes sociais, compartilhou uma montagem que o mostra sorridente ao lado de Trump e sério ao lado do presidente Lula, com a legenda: “Com a direita // com a esquerda”.

Além de se afastar de outros líderes sul-americanos e criticar o Mercosul, bloco que ameaça deixar, Milei vem sinalizando interesse em firmar um acordo bilateral de livre comércio com os EUA. Recentemente, o governo argentino anunciou ainda que concederá cidadania a grandes investidores estrangeiros, alinhando-se a padrões do programa de isenção de vistos norte-americano.

Entre os países sul-americanos, além do Brasil, apenas Bolívia, Guiana e Venezuela foram atingidos por tarifas intermediárias, todas de 15%. A explicação para as diferenças está na balança comercial: países que compram mais dos EUA pagam menos, enquanto aqueles que vendem mais sofrem tarifas mais altas.

No Brasil, setores como o de frutas, sucos e alimentos já demonstram preocupação com os impactos. Entidades americanas chegaram a pedir a exclusão desses produtos da lista, mas não houve mudança até agora. Especialistas alertam que a escalada da tensão comercial pode prejudicar ainda mais a relação entre os dois países.

Já a Argentina vê na tarifa alta imposta ao Brasil uma oportunidade de expandir sua presença no comércio exterior, mesmo temendo um possível redirecionamento de exportações. Nos bastidores, o governo Milei chegou a sugerir que o Brasil deveria “agradecer” por não ter sido mais prejudicado logo de início.

A decisão de Trump reacende o debate sobre as implicações políticas do comércio exterior e deixa claro que, em sua nova gestão, o republicano pretende premiar aliados e punir adversários, inclusive em solo latino-americano.

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