Dispositivos secretos estariam em servidores com processadores da Nvidia e AMD; Pequim reage com desconfiança ao uso do chip H20
As autoridades americanas teriam inserido rastreadores secretos em computadores e chips de inteligência artificial, segundo a agência Reuters. O objetivo seria monitorar se esses equipamentos estão sendo repassados ilegalmente à China, país que desde 2018 enfrenta restrições impostas pelos EUA para importar determinados processadores e máquinas utilizadas em sua produção.
Fontes da indústria de semicondutores afirmam que os rastreadores estão sendo instalados em servidores com chips de IA da Nvidia e da AMD. Assim, os EUA conseguiriam identificar se outros países, após comprarem as máquinas, estariam revendendo-as de forma irregular ao governo chinês. Investigações apontam que nações como Malásia, Cingapura e Emirados Árabes já teriam feito esse repasse.
De acordo com a Reuters, os dispositivos de rastreamento podem ser externos, escondidos em embalagens de servidores, ou internos, colocados diretamente dentro dos computadores. Em julho, a Casa Branca sugeriu que empresas de chips adotassem tecnologias de rastreamento embutidas nos próprios processadores.
O caso do Nvidia H20
Em abril, os EUA proibiram a exportação do chip Nvidia H20, criado especificamente para o mercado chinês. Menos potente que os principais modelos da empresa, o processador foi alvo de restrições a pedido do governo americano, que busca evitar a vantagem da China na corrida global pela inteligência artificial.
No entanto, no início de agosto, Washington voltou atrás e autorizou a venda do H20 à China, impondo uma condição: a Nvidia deverá repassar 15% da receita obtida com as vendas em forma de impostos.
Apesar disso, o governo chinês demonstra cautela. Segundo a Bloomberg, autoridades locais estariam orientando empresas do país a não utilizarem o H20, especialmente em sistemas estatais ou governamentais, por suspeita de possíveis mecanismos de espionagem embutidos nos chips ou nos servidores.
Na última sexta-feira, a agência estatal chinesa Xinhua publicou um artigo classificando as medidas americanas como reflexo de “um império da vigilância”.


