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Política

Governo Trump prepara novas medidas contra o Brasil

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Banco do Brasil e importações da Rússia estão no alvo; tarifas e pressões comerciais aumentam tensão entre os países

Os Estados Unidos estão preparando novas medidas contra o Brasil, tendo como principais alvos o Banco do Brasil (BB) e as importações de óleo diesel da Rússia. Além disso, empresas americanas pressionam pela manutenção da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. As informações foram apuradas pela CNN em Washington.

Segundo fontes ouvidas pelo veículo, as ações ainda dependem da decisão final do presidente Donald Trump, mas sanções ao BB são vistas como a medida mais iminente.

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Contexto político e jurídico

O movimento acontece no mesmo momento em que o Supremo Tribunal Federal (STF) inicia o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), nesta terça-feira (2).

Em 30 de julho, os EUA aplicaram a Lei Magnitsky, que permite punir economicamente instituições que prestem serviços a pessoas sancionadas pelo governo americano. Entre os alvos está o ministro do STF Alexandre de Moraes.

Pouco depois, o Banco do Brasil teria oferecido a Moraes um cartão da bandeira Elo, após o cancelamento de seu Mastercard por uma instituição financeira. Esse gesto é apontado como justificativa para que o Tesouro americano adote medidas contra o banco estatal.

O BB respondeu em comunicado:

“Atuamos em conformidade com a legislação brasileira, as normas dos mais de 20 países onde estamos presentes e os padrões internacionais do sistema financeiro.”

Precedentes de sanções

Se confirmadas, as punições ao Banco do Brasil devem seguir o modelo já aplicado a instituições estrangeiras que violaram sanções americanas.

  • BNP Paribas (França): pagou multa de US$ 9 bilhões em 2014, após transações com entidades do Sudão, Irã e Cuba.

  • Standard Chartered (Reino Unido): foi multado três vezes por negócios com países como Irã, Mianmar e Líbia. A punição mais recente, em 2019, chegou a US$ 1,1 bilhão.

Disputa tarifária

O “tarifaço” de 50% sobre produtos brasileiros será discutido em audiência no Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) nesta quarta (3) e quinta-feira (4).

Empresas americanas pressionam pela manutenção da alíquota, alegando que a competitividade brasileira se apoia em práticas como desmatamento ilegal e trabalho forçado.

Além disso, associações do setor agrícola pedem que o governo Trump negocie com a China para substituir compras do Brasil por produtos americanos.

No setor digital, há críticas às regras brasileiras sobre inteligência artificial, data centers e streaming, além do imposto mínimo de 15% aprovado em outubro para empresas estrangeiras que não recolhem tributos localmente.

Instituições financeiras também acusam o Banco Central de atuar como regulador e competidor, citando o Pix como rival de sistemas de pagamento dos EUA.

Óleo diesel russo no radar

Outra frente de atrito é a importação de diesel russo pelo Brasil. O governo Trump estuda elevar a tarifa, a exemplo do que já fez com a Índia, cuja alíquota subiu de 25% para 50%.

O Brasil importou em 2023 cerca de US$ 12,5 bilhões da Rússia, principalmente em diesel e fertilizantes. Para efeito de comparação, a Índia comprou US$ 63 bilhões e a China, atualmente em negociação comercial avançada com os EUA, US$ 130 bilhões.

Medidas contra o Brasil nesse campo devem ser anunciadas em até dez dias, segundo fontes em Washington.

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