Pesquisa identificou bactérias e fungos associados a até três vezes mais chances de desenvolver a doença; relação ainda não comprova causa e efeito
Microrganismos que vivem na boca podem estar relacionados a um risco maior de desenvolver câncer de pâncreas, aponta um novo estudo publicado no periódico JAMA Oncology. Pesquisadores identificaram 23 tipos de bactérias e quatro de fungos que, em conjunto, estariam associados a um risco até três vezes maior da doença.
Apesar dos achados, os cientistas destacam que o estudo é observacional, ou seja, estabelece apenas uma correlação, e não prova que exista uma relação de causa e efeito.
Como foi feito o estudo
Pesquisadores da Universidade de Nova York analisaram amostras de saliva de mais de 122 mil pessoas, acompanhadas por um período de até dez anos. Ao longo do estudo, 445 participantes foram diagnosticados com câncer de pâncreas.
Os cientistas compararam o DNA dos microrganismos presentes na saliva dos pacientes com câncer com o de 445 indivíduos saudáveis. Após os ajustes para fatores como idade, tabagismo, dieta e histórico médico, observaram diferenças significativas na composição da microbiota oral.
Principais resultados
Os resultados mostraram que algumas bactérias ligadas à periodontite, como P. gingivalis, E. nodatum e P. micra, estavam associadas a um risco mais elevado de câncer de pâncreas. O achado reforça pesquisas anteriores que já relacionavam gengivite e má higiene bucal ao surgimento de doenças graves.
Além disso, foram identificadas outras 20 bactérias e quatro fungos, incluindo espécies do gênero Candida, que normalmente vivem na boca e em outras partes do corpo, mas cuja presença variou fortemente entre os grupos analisados.
No total, os microrganismos encontrados estão relacionados a uma chance 3,4 vezes maior de câncer de pâncreas.
Importância da descoberta
O câncer de pâncreas é considerado um dos mais graves, por apresentar sintomas apenas em estágios avançados, o que leva a diagnósticos tardios e altas taxas de mortalidade.
Para os pesquisadores, a análise genética da microbiota oral pode, no futuro, se tornar uma ferramenta de vigilância precoce.
“A troca e perfil das populações bacterianas e fúngicas na boca podem fornecer indicadores importantes para pacientes em risco de desenvolver câncer de pâncreas”
Afirma Jiyoung Ahn, professora da Universidade de Nova York e coautora do estudo.
O pesquisador Richard Hayes, também da Universidade de Nova York, ressalta que os resultados reforçam a necessidade de estudos adicionais.
“Ainda é preciso entender melhor os mecanismos dessa relação antes de afirmar um vínculo direto de causa e efeito”
Conclui.


