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Saúde

Implante de retina devolve parte da visão a pessoas com cegueira

Dispositivo desenvolvido na Europa permite que pacientes com degeneração macular voltem a ler e realizar atividades cotidianas
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Um implante de retina desenvolvido por cientistas europeus está devolvendo parcialmente a visão a pessoas com degeneração macular relacionada à idade (DMRI), uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo.

O estudo, publicado na revista The New England Journal of Medicine nesta segunda-feira (20/10), mostrou que o dispositivo devolveu a capacidade de ler letras e palavras a pacientes antes considerados funcionalmente cegos. Um ano após o procedimento, 80% dos participantes apresentaram melhora significativa na acuidade visual.

Como o implante funciona

Batizado de PRIMA, o implante é um microdispositivo fotovoltaico do tamanho da ponta de uma caneta. Ele é inserido sob a retina para substituir as células sensíveis à luz destruídas pela doença. O chip converte luz em sinais elétricos que estimulam os neurônios ainda ativos na retina, permitindo que o cérebro volte a processar imagens.

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Desenvolvido pela Science Corporation, empresa de neurotecnologia com sede em São Francisco (EUA), o PRIMA é usado em conjunto com óculos especiais que possuem uma câmera embutida. As imagens captadas são transformadas em padrões de luz infravermelha e projetadas sobre o implante, ativando seus pixels sensíveis.

Por não possuir fios e utilizar a própria luz como fonte de energia, o PRIMA representa um avanço em relação às próteses oculares anteriores. O sistema também permite ajustar contraste e brilho, além de ampliar o campo de visão. No entanto, o paciente precisa passar por meses de treinamento para aprender a interpretar as imagens corretamente.

Resultados promissores

O ensaio clínico envolveu 38 voluntários com DMRI avançada, em 17 centros médicos de cinco países europeus. Após um ano, 26 pacientes conseguiram enxergar duas linhas a mais em um quadro oftalmológico, e 22 relataram melhora significativa em tarefas do dia a dia, como leitura, identificação de números e reconhecimento de objetos.

Apesar dos resultados animadores, os pesquisadores reconhecem que a tecnologia ainda tem limitações. O modelo atual possui apenas 381 pixels e oferece visão em preto e branco, o que torna a leitura lenta. Uma versão com resolução mais alta está em desenvolvimento e deve permitir imagens mais nítidas e coloridas.

O que é a degeneração macular

A DMRI é uma doença degenerativa que afeta a retina e causa perda progressiva da visão central, essencial para atividades como ler, dirigir e reconhecer rostos. Sua forma mais comum, a seca, ocorre devido ao acúmulo de depósitos amarelados sob a retina, que provocam a morte das células fotossensíveis.

Estima-se que cerca de 5 milhões de pessoas em todo o mundo vivam com a forma avançada da doença.

O futuro da tecnologia

Os desenvolvedores do PRIMA já solicitaram certificação para comercialização do dispositivo na Europa. Especialistas apontam que o avanço marca uma nova era no tratamento de doenças oculares antes consideradas irreversíveis.

Além da DMRI, os pesquisadores acreditam que o implante poderá futuramente beneficiar pacientes com outras condições que danificam os fotorreceptores, como a retinite pigmentosa.

Com resultados que até pouco tempo pareciam ficção científica, o implante PRIMA abre caminho para uma nova geração de próteses visuais e reacende a esperança de milhares de pessoas que convivem com a cegueira.

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