A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) confirmou nesta quinta-feira (30) a maior apreensão de ouro da história do estado. Foram encontradas 77 barras do metal, totalizando 72,6 quilos, avaliadas em aproximadamente R$ 45 milhões.
A operação, realizada por equipes da Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam), resultou na prisão de seis pessoas, entre elas dois policiais militares e um policial civil, todos fora de serviço.
Denúncia levou à operação
A ação foi deflagrada na noite de quarta-feira (29), em Manaus, após uma denúncia anônima informar que uma família estaria sendo mantida refém em uma residência. As equipes da Rocam foram deslocadas imediatamente para o local.
Segundo o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Klinger Paiva, a ocorrência foi tratada inicialmente como um possível sequestro.
“A Polícia Militar recebeu uma denúncia via 190 e, de imediato, as equipes foram ao endereço informado. No local, a situação se mostrou bem diferente do esperado”
Disse Paiva.
Policiais fora de serviço entre os suspeitos
Ao chegar à residência, os agentes da Rocam encontraram quatro pessoas rendidas e foram recebidos por dois policiais militares e um policial civil.
De acordo com o tenente-coronel Renan Carvalho, comandante da Rocam, o comportamento dos agentes chamou atenção logo no início da abordagem.
“A família estava no chão, na garagem, e os três policiais dentro da casa. Quando fizemos a revista, encontramos barras de ouro escondidas na sala e dentro do tanque de combustível de um carro preparado para o transporte”
Relatou.
Identificação dos envolvidos
Entre os detidos estão o chefe de investigação do 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), Fellipe Pinto Ferreira, e os cabos da PM Gilson Luna de Farias e Antônio Temilson de Souza Aguiar.
Os dois militares estavam afastados das funções, um por licença médica e o outro por já ter sido preso em 2024 por porte ilegal de arma.
Além deles, três civis também foram presos, entre eles um venezuelano, identificado como o dono da residência onde o ouro estava armazenado. A esposa dele foi conduzida à delegacia como testemunha.
Material apreendido
Durante a operação, a Rocam apreendeu 77 barras de ouro de origem venezuelana, cinco armas de fogo, munições, coletes balísticos, celulares, dinheiro em espécie e dois veículos, um blindado e outro com fundo falso, que seria utilizado para o transporte do metal.
“O ouro estava pronto para ser transportado. O veículo com fundo falso seria usado para circular com o material dentro da cidade”
Informou o comandante-geral da PM.
Investigação e medidas disciplinares
O material apreendido foi encaminhado à Superintendência da Polícia Federal (PF), em Manaus, que vai conduzir a investigação sobre a origem do ouro e a possível participação de outros agentes públicos no esquema.
O delegado-adjunto da Polícia Civil, Guilherme Torres, afirmou que será instaurado inquérito policial e processo administrativo disciplinar.
“Não há justificativa para policiais estarem naquele local sem ordem de missão. As medidas administrativas e criminais já estão sendo adotadas”
Disse Torres.
O corregedor-geral do Sistema de Segurança Pública, coronel Franciney Bó, destacou que a corporação não será conivente com desvios de conduta.
“Os policiais da Rocam agiram corretamente, mesmo diante de colegas de farda. O sistema de segurança pública não compactua com o crime”
Declarou.
Contexto e relevância
A apreensão supera o recorde anterior no Amazonas, registrado em dezembro de 2023, quando a Polícia Federal apreendeu 47 quilos de ouro avaliados em R$ 15 milhões.
Em âmbito nacional, o maior caso continua sendo o de agosto de 2025, quando a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu 103 quilos do metal em Boa Vista (RR), avaliados em R$ 61 milhões.
O caso em Manaus marca um divisor de águas nas investigações sobre o tráfico ilegal de ouro na região Norte, levantando suspeitas de envolvimento de agentes públicos e de ligação com rotas clandestinas da Venezuela para o Brasil.


