Uma tecnologia desenvolvida no Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre (LabClim), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), está transformando o monitoramento dos rios da região. O sistema, criado por alunos e pesquisadores da instituição, utiliza inteligência artificial (IA) para prever a variação das cotas fluviais com até 30 dias de antecedência, permitindo que órgãos públicos e comunidades se preparem melhor para secas e enchentes.
O modelo é baseado em redes neurais, técnica de IA inspirada no funcionamento do cérebro humano. Ele “aprende” o comportamento natural dos rios a partir de séries históricas de dados sobre níveis de água, volume de chuvas e outros fatores ambientais. As informações são cruzadas com dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), além de bancos meteorológicos e hidrológicos mantidos pelo próprio laboratório.
Durante a fase de testes, os pesquisadores compararam diferentes tipos de redes neurais, Multilayer Perceptron (MLP) e Long Short-Term Memory (LSTM) para avaliar desempenho e precisão. Cada previsão gerada passa por simulações e validações, sendo ajustada sempre que há discrepâncias em relação aos dados reais. O sistema atingiu erro médio inferior a 2%, considerado de alta precisão.
Expansão para outras bacias
O projeto começou com o Rio Negro, em Manaus, e agora está sendo expandido para os rios Madeira, Solimões e Amazonas. As previsões geradas alimentam boletins e relatórios utilizados por órgãos de gestão ambiental, defesa civil e logística, auxiliando no planejamento de ações preventivas durante períodos críticos de cheia ou estiagem.
O sistema tem potencial de aplicação direta em setores estratégicos, como transporte, agricultura, abastecimento e operações emergenciais, oferecendo dados que ajudam a reduzir prejuízos e otimizar recursos.
Aplicativo tornará informações acessíveis
O LabClim também prepara o lançamento de um aplicativo próprio, que reunirá informações sobre chuva, temperatura e nível dos rios em tempo real. A plataforma permitirá que gestores públicos, pesquisadores e comunidades ribeirinhas acompanhem as previsões diretamente pelo celular.
Enquanto o app não é lançado, o laboratório segue divulgando boletins quinzenais com as previsões atualizadas em seu site e nas redes sociais oficiais.
Ciência com DNA amazônico
Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), o projeto é resultado do trabalho conjunto de meteorologistas, geógrafos e engenheiros da UEA. A iniciativa reforça o papel da ciência amazônica no enfrentamento das mudanças climáticas e no desenvolvimento de tecnologias voltadas às necessidades da própria região.


