Cientistas desenvolveram uma injeção capaz de regenerar a cartilagem danificada do joelho e potencialmente impedir o desenvolvimento da osteoartrite, doença que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. O tratamento apresentou resultados positivos em camundongos idosos e em amostras de tecido humano, abrindo caminho para novos testes clínicos com uma versão em comprimido.
A terapia atua sobre a proteína 15-PGDH, cuja concentração aumenta com o envelhecimento. Essa proteína é classificada como uma gerozim, grupo de enzimas associadas ao declínio progressivo das funções dos tecidos ao longo da idade.
Bloqueio de proteína reverte desgaste associado à idade
Em experimentos com animais, o bloqueio da 15-PGDH por meio de uma pequena molécula levou a ganho de massa muscular e melhora da resistência em camundongos idosos. Já quando animais jovens foram induzidos a produzir níveis elevados da proteína, apresentaram fraqueza e atrofia muscular.
Os pesquisadores destacam que, diferentemente das terapias atuais, o novo tratamento não apenas alivia sintomas, mas atua sobre um dos mecanismos centrais que impulsionam a osteoartrite.
“Trata-se de uma nova forma de regenerar tecido adulto, com grande potencial clínico para tratar a artrite causada pelo envelhecimento ou por lesões”
Afirmou Helen Blau, professora de microbiologia e imunologia e autora sênior do estudo.
“Estávamos procurando células-tronco, mas elas claramente não estão envolvidas. É muito empolgante.”
Atualmente, não existem medicamentos capazes de interromper ou reverter a osteoartrite, o que faz do controle da dor e da substituição articular as principais alternativas terapêuticas.
Entenda o papel da cartilagem
O corpo humano possui três principais tipos de cartilagem:
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Cartilagem elástica: macia e flexível, presente na orelha externa.
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Fibrocartilagem: densa e resistente, atua na absorção de impacto, como entre as vértebras.
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Cartilagem hialina: lisa e brilhante, reduz o atrito nas articulações — como joelhos, quadris e ombros — e é a mais afetada pela osteoartrite.
A osteoartrite ocorre quando as articulações são sobrecarregadas por envelhecimento, lesões ou obesidade. Nesse processo, os condrócitos passam a liberar moléculas inflamatórias e degradar o colágeno, principal proteína estrutural da cartilagem.
Com a perda de colágeno, a cartilagem afina, amolece e inflama, provocando dor e limitação de movimentos. Em condições normais, a cartilagem articular quase não se regenera espontaneamente.
Resultados também em tecido humano
Além dos testes em camundongos, a terapia foi aplicada em tecidos de joelho humano coletados durante cirurgias, que responderam de forma positiva.
As amostras, compostas por matriz extracelular e condrócitos, começaram a formar nova cartilagem funcional após o tratamento.
Os achados indicam que, no futuro, poderá ser possível restaurar cartilagem perdida por envelhecimento ou lesão por meio de injeções localizadas ou medicamentos orais, reduzindo a necessidade de cirurgias de substituição de joelho ou quadril.
A inovação também pode beneficiar pacientes com lesões traumáticas, como rupturas do ligamento cruzado anterior (LCA), comuns entre atletas.
Embora promissora, a terapia ainda precisa passar por ensaios clínicos em humanos antes de se tornar uma opção disponível no sistema de saúde.


