Um levantamento internacional coordenado por pesquisadores da Harvard University acendeu um alerta sobre o aumento de diferentes tipos de câncer em pessoas com menos de 50 anos.
O estudo, publicado em novembro de 2025 na base científica da National Library of Medicine, identificou que seis tipos de tumores vêm crescendo de forma mais acelerada em jovens em pelo menos cinco países.
Os tipos de câncer que mais avançam
Colorretal e uterino também registram aumento na mortalidade
Segundo a pesquisa, os tumores com maior crescimento nessa faixa etária são:
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Câncer colorretal
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Câncer cervical (colo do útero)
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Câncer pancreático
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Câncer de próstata
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Câncer renal
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Mieloma múltiplo
Entre eles, os tumores colorretais e uterinos chamam ainda mais atenção por apresentarem aumento não apenas na incidência, mas também na mortalidade.
Alta expressiva no câncer colorretal
Casos podem crescer até 90% até 2030 entre jovens
O câncer colorretal aparece como uma das principais preocupações dos pesquisadores. A projeção indica que, até 2030, os casos podem aumentar:
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90% entre pessoas de 20 a 34 anos
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46% na faixa de 35 a 49 anos
Atualmente, cerca de 10% dos diagnósticos globais desse tipo de tumor já ocorrem em pessoas com menos de 50 anos, percentual considerado significativo pelos especialistas.
O estudo analisou dados de 2000 a 2017 e avaliou 13 tipos de câncer que vêm apresentando aumento nessa faixa etária em pelo menos 10 países.
Países com IDH muito alto concentram maiores aumentos
América do Norte, Europa e Oceania lideram crescimento
Os crescimentos mais acentuados de câncer de início precoce foram observados principalmente em países com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) muito alto, especialmente na América do Norte, Europa e Oceania.
Os pesquisadores identificaram ainda forte associação entre obesidade e aumento de tumores relacionados ao excesso de peso em jovens. Para os autores, a epidemia global de obesidade pode ser um fator central para explicar o avanço dos casos.
Rastreamento pode influenciar números
Diagnóstico precoce pode explicar parte do aumento
O estudo também aponta que parte do crescimento nos diagnósticos pode estar ligada à ampliação e ao aprimoramento de programas de rastreamento em países como:
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Estados Unidos
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Japão
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Coreia do Sul
Em alguns casos, como nos cânceres de tireoide, próstata e pele não melanoma — houve aumento da incidência, mas sem crescimento proporcional da mortalidade, o que pode indicar detecção mais precoce e tratamento mais eficaz.
Limitações e próximos passos
Falta de dados de parte da Ásia, África e América Latina
Apesar dos achados, os autores reconhecem limitações. Os bancos de dados utilizados não incluíram regiões da Ásia, África e América do Sul e Central, o que pode restringir a compreensão global do fenômeno.
Diante do cenário, a comunidade científica defende novas investigações para compreender melhor as causas, fatores ambientais, comportamentais e metabólicos envolvidos no aumento do câncer em jovens.
O avanço dos casos em pessoas com menos de 50 anos reforça a necessidade de atenção aos sintomas, políticas de prevenção e ampliação do acesso ao diagnóstico precoce.


