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Economia

Desemprego fica em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, aponta IBGE

Taxa permanece estável em relação ao trimestre anterior e recua 1,1 ponto percentual na comparação anual, segundo dados da Pnad Contínua
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A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta quinta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado permaneceu estável em relação ao trimestre anterior, encerrado em outubro de 2025, que também registrou 5,4%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve queda de 1,1 ponto percentual, já que a taxa era de 6,5%.

Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, o índice representa o menor nível da série histórica para trimestres encerrados em janeiro.

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Apesar da estabilidade estatística em relação ao trimestre anterior, a especialista aponta que há uma tendência de queda no indicador.

“Em geral, na virada do ano é comum haver aumento da desocupação, que costuma aparecer ao longo do primeiro trimestre. Mas esse resultado ainda reflete o efeito de novembro e dezembro, que costumam ter indicadores mais favoráveis no mercado de trabalho”, explicou.

Ela também destacou que a melhora é mais evidente na comparação anual, indicando avanço no mercado de trabalho.

Principais indicadores do mercado de trabalho

Entre os principais resultados da pesquisa estão:

  • Taxa de desocupação: 5,4%

  • Taxa de subutilização: 13,8%

  • População desocupada: 5,9 milhões

  • População ocupada: 102,7 milhões

  • População fora da força de trabalho: 66,3 milhões

  • População desalentada: 2,7 milhões

  • Empregados com carteira assinada: 39,4 milhões

  • Empregados sem carteira assinada: 13,4 milhões

  • Trabalhadores por conta própria: 26,2 milhões

  • Trabalhadores informais: 38,5 milhões

O número de pessoas desocupadas chegou a 5,9 milhões, mantendo-se estável em relação ao trimestre anterior. Já na comparação anual, houve queda de 17,1%, o que representa 1,2 milhão de pessoas a menos sem trabalho.

Por outro lado, a população ocupada alcançou 102,7 milhões de pessoas, ficando praticamente estável frente ao trimestre anterior, mas registrando crescimento de 1,7% em relação a um ano antes, com a entrada de 1,7 milhão de trabalhadores no mercado.

Com isso, o nível de ocupação, que mede a proporção de pessoas empregadas na população em idade de trabalhar, ficou em 58,7%, estável no trimestre e 0,5 ponto percentual acima do registrado um ano antes.

Subocupação e desalento

A pesquisa também aponta que a população subocupada por insuficiência de horas trabalhadas, pessoas que trabalham menos do que gostariam somava 4,5 milhões, mantendo-se estável tanto na comparação trimestral quanto anual.

Já a população fora da força de trabalho chegou a 66,3 milhões de pessoas, número estável no trimestre, mas 1,3% maior em relação ao ano anterior, o equivalente a 846 mil pessoas a mais.

Entre aqueles que desistiram de procurar emprego, a chamada população desalentada, o total ficou em 2,7 milhões de pessoas. O número permaneceu estável no trimestre, mas caiu 15,2% na comparação anual, o que representa 476 mil pessoas a menos nessa condição.

Desalentados são pessoas que gostariam de trabalhar e estavam disponíveis para assumir uma vaga, mas não procuraram emprego por acreditarem que não conseguiriam uma oportunidade.

Com isso, a taxa de desalento ficou em 2,4%, estável no trimestre e 0,4 ponto percentual abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.

Formalidade e informalidade

No mercado de trabalho, os diferentes tipos de vínculo apresentaram os seguintes resultados:

  • Empregados com carteira assinada no setor privado: 39,4 milhões — estabilidade no trimestre e alta de 2,1% em um ano

  • Empregados sem carteira assinada: 13,4 milhões — estabilidade nas duas comparações

  • Trabalhadores por conta própria: 26,2 milhões — estabilidade no trimestre e alta de 3,7% em um ano

  • Trabalhadores domésticos: 5,5 milhões — estabilidade no trimestre e queda de 4,5% na comparação anual

A taxa de informalidade ficou em 37,5% da população ocupada, o que representa 38,5 milhões de trabalhadores informais. No trimestre anterior, o índice era de 37,8%, enquanto no mesmo período do ano passado chegava a 38,4%.

Renda e massa salarial crescem

A pesquisa também apontou avanço nos rendimentos.

O rendimento real habitual médio foi estimado em R$ 3.652, com alta de 2,8% no trimestre e crescimento de 5,4% na comparação anual.

Já a massa de rendimento real habitual, que representa a soma de todos os salários pagos no país, alcançou R$ 370,3 bilhões, com aumento de 2,9% no trimestre e 7,3% em um ano.

Emprego cresce em alguns setores

A força de trabalho brasileira, que reúne pessoas ocupadas e aquelas que buscam emprego, somou 108,5 milhões de pessoas, mantendo-se estável no trimestre e registrando alta de 0,4% na comparação anual.

Entre os setores da economia, os principais movimentos foram:

Na comparação com o trimestre anterior:

  • Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias e profissionais: alta de 2,8%

  • Outros serviços: crescimento de 3,5%

  • Indústria geral: queda de 2,3%

Na comparação com o mesmo período de 2025:

  • Informação, comunicação e atividades financeiras: alta de 4,4%

  • Administração pública, educação, saúde e serviços sociais: crescimento de 6,2%

  • Serviços domésticos: queda de 4,2%

Mercado de trabalho segue aquecido

Para analistas, os dados indicam que o mercado de trabalho brasileiro permanece aquecido, com desemprego em níveis historicamente baixos e crescimento da renda.

O economista Maykon Douglas avalia que o resultado é positivo, pois a taxa reduzida de desemprego veio acompanhada de mais pessoas trabalhando e aumento da massa salarial.

Segundo ele, a tendência é que haja leve aumento do desemprego nos próximos meses, algo considerado comum no início do ano.

“A taxa de desemprego deve subir cerca de 0,1 ou 0,2 ponto percentual nos próximos meses”, afirmou.

Ainda assim, a projeção é que a média anual de 2026 fique em torno de 5,2%, abaixo do nível registrado em 2025.

Avaliação semelhante é feita por Rafael Perez, economista da Suno Research, que destaca a resiliência do mercado de trabalho brasileiro.

Segundo ele, o país vive um cenário de desemprego em mínimas históricas, crescimento real dos salários e aumento da renda das famílias, o que tende a estimular o consumo.

Por outro lado, esse contexto também exige cautela na política monetária, já que emprego forte e salários em alta podem pressionar a inflação e influenciar as decisões do Banco Central sobre os juros.

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