O preço da gasolina voltou a subir em Manaus no último fim de semana. Em alguns postos da capital amazonense, o litro da gasolina comum passou de R$ 6,99 para R$ 7,29, registrando um aumento de cerca de R$ 0,30. Já a gasolina aditivada chegou a R$ 7,49 em determinados estabelecimentos.
A alta também foi observada em outras cidades brasileiras. Em Salvador, por exemplo, o litro da gasolina chegou a R$ 6,99 após reajustes feitos por distribuidoras. Já em São Luís, o Procon do Maranhão notificou postos de combustíveis após denúncias de aumentos de até R$ 0,15 por litro.
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontam que, na média nacional, o preço da gasolina subiu de R$ 6,28 para R$ 6,30 na última semana. No mesmo período, o diesel passou de R$ 6,03 para R$ 6,08, registrando alta de R$ 0,05.
Segundo entidades do setor, a elevação dos preços pode estar relacionada a fatores externos, principalmente à valorização do petróleo no mercado internacional. A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) informou que oscilações no preço do petróleo, influenciadas por conflitos no Oriente Médio, podem pressionar os valores no Brasil.
O barril do petróleo ultrapassou a marca de US$ 100 pela primeira vez em mais de três anos, impulsionado pela guerra envolvendo o Irã, que tem afetado a produção e o transporte na região. O petróleo Brent, referência internacional, chegou a US$ 101,19, um aumento de 9,2% em relação ao fechamento anterior, de US$ 92,69.
No Brasil, os combustíveis registraram a primeira alta desde janeiro, segundo levantamento da ANP. A gasolina não apresentava aumento desde a semana de 11 de janeiro, enquanto o diesel não registrava avanço desde 4 de janeiro.
Entidades como a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) já haviam alertado para a possibilidade de reajustes. Em nota, a entidade afirmou que distribuidoras vêm elevando os preços de fornecimento aos postos, possivelmente devido ao aumento nos custos de aquisição em refinarias privadas e nas importações.
Apesar do cenário de alta no mercado internacional, a Petrobras ainda não anunciou reajustes nos preços dos combustíveis. A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que a empresa está avaliando o comportamento do mercado antes de tomar qualquer decisão.
Segundo ela, a companhia busca evitar repasses imediatos da volatilidade internacional aos consumidores brasileiros, mas destacou que uma alta prolongada do petróleo pode exigir respostas mais rápidas da empresa.
Atualmente, dados da Abicom indicam que os preços praticados pela Petrobras estão abaixo da paridade internacional, com o diesel cerca de 64% mais barato e a gasolina aproximadamente 27% inferior ao valor do mercado externo. Mesmo assim, especialistas apontam que a dependência de importação de parte dos combustíveis pode pressionar os preços nos próximos meses.


