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Enchentes no Nepal e no Tibete deixam mortos e centenas de desaparecidos

Enxurrada repentina e deslizamentos atingiram a fronteira entre Nepal e Tibete; equipes de resgate buscam sobreviventes e quase 579 pessoas estão desaparecidas
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Uma grande enxurrada repentina e um deslizamento de terra atingiram a região da fronteira entre o Nepal e o Tibete nesta quarta-feira (26). O desastre deixou ao menos 100 mortos no Nepal e centenas de pessoas desaparecidas, segundo as informações mais recentes divulgadas pelas autoridades.

Entre os desaparecidos estão quase 579 viajantes, sendo 466 estrangeiros e 61 nepaleses. As vítimas estrangeiras são de 28 países diferentes, incluindo 133 indianos, 54 americanos e 33 britânicos. Até o momento, o Itamaraty informou que não há registro de brasileiros desaparecidos.

A região atingida é uma importante rota turística, utilizada por pessoas que seguem em direção ao Kailash Mansarovar, no Tibete, além de dar acesso ao Parque Nacional de Langtang e ao lago sagrado de Gosainkunda.

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Nepal registra pelo menos 100 mortes

As autoridades nepalesas confirmaram ao menos 100 mortos. O distrito de Chitwan concentra o maior número de vítimas, com 33 mortes registradas. As regiões de Rasuwa e Nuwakot, às margens do rio Bhotekoshi, também foram fortemente atingidas.

O desastre provocou destruição de estradas, pontes, redes de comunicação e estruturas de infraestrutura, incluindo danos ao projeto hidrelétrico de Trishuli.
Entre os desaparecidos estão militares, policiais e trabalhadores do setor de energia. Segundo as autoridades, são 44 militares, 28 policiais, 13 policiais armados e 60 trabalhadores de projetos de energia, além de funcionários de alfândega e imigração.

O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, afirmou que o país está “em choque e profundamente abalado” diante das perdas e dos danos provocados pelas enxurradas. O governo mobilizou recursos para as operações de busca e resgate.

Tibete também registra mortes e desaparecidos

No lado tibetano da fronteira, controlado pela China, a mídia estatal chinesa informou três mortos e 265 desaparecidos.

O presidente chinês, Xi Jinping, determinou um esforço de resgate para localizar os desaparecidos e pediu o reforço dos sistemas de monitoramento e alerta para evitar novos desastres.

A situação também afetou trabalhadores estrangeiros. Autoridades sul-coreanas informaram que oito cidadãos do país estão incomunicáveis, enquanto outros dez aguardavam resgate.

O que causou a enchente?

A causa exata do desastre ainda está sendo investigada. A principal hipótese é que uma avalanche de gelo ou o desabamento de parte de uma geleira tenha provocado uma sequência de eventos, levando grandes volumes de gelo, rochas e sedimentos para o rio.

Segundo especialistas, os detritos podem ter formado temporariamente uma espécie de barragem natural, bloqueando o curso da água. Quando a barreira se rompeu, uma grande quantidade de água e sedimentos avançou rio abaixo, provocando a enxurrada.

A hipótese ainda precisa ser confirmada por imagens de satélite mais detalhadas e pela análise de diferentes fontes.

Inicialmente, autoridades nepalesas levantaram a possibilidade de que um terremoto de magnitude 4,4 tivesse provocado o deslizamento. No entanto, uma análise do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) indicou que não houve terremoto e que a atividade sísmica registrada teria sido causada pelo próprio deslizamento de terra.

Equipes de resgate procuram sobreviventes

As operações de busca continuam na região. Segundo o Exército do Nepal, 88 sobreviventes já haviam sido resgatados, enquanto tropas trabalhavam para retirar outras 115 pessoas da vila de Mailung.

Ao todo, 15 helicópteros foram mobilizados para auxiliar nas operações de busca e resgate.

A dificuldade de acesso é um dos principais obstáculos para as equipes. Ventos fortes e as condições do terreno dificultam a chegada de helicópteros a algumas áreas atingidas.

Sobreviventes relatam destruição

Moradores das áreas atingidas descreveram a força da enxurrada como repentina e devastadora.

Sonam Dorjee, guia de trekking para turistas estrangeiros, contou que sua irmã está desaparecida após a inundação atingir a aldeia de Syafru Besi. Segundo ele, a água chegou rapidamente e destruiu casas, deixando moradores sem abrigo e necessitando de alimentos, atendimento médico e evacuação.

Outra sobrevivente, Kalpana Malla, afirmou que perdeu familiares durante a enchente. Segundo seu relato, ela e o filho conseguiram sobreviver ao subir no telhado de uma casa.

Imagens mostram força da enxurrada

Vídeos verificados pela BBC mostram uma ponte sendo levada pela correnteza e prédios desabando na região de Trishuli Bazaar, no distrito de Nuwakot, cerca de 25 quilômetros a noroeste de Kathmandu.

As imagens mostram o rio Trishuli aumentando rapidamente de volume e velocidade, carregado de sedimentos. Pouco depois, a ponte é arrastada pela água e vários prédios desabam.

Imagens de satélite também mostram que, após a enchente, o rio ficou significativamente mais volumoso e a água se espalhou por áreas próximas, destruindo construções e alterando a paisagem da região.

O desastre é considerado o mais devastador registrado no Nepal desde o terremoto de 2015, que matou quase 9 mil pessoas.

As equipes continuam trabalhando para localizar desaparecidos e retirar sobreviventes das áreas de risco. As informações sobre o número de mortos e desaparecidos podem ser atualizadas conforme as operações de resgate avançam.

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