Uma combinação de quatro terapias-alvo foi testada como alternativa à quimioterapia em pacientes com câncer de mama metastático HR+ e HER2+. O estudo avaliou o uso conjunto de anastrozol, palbociclibe, trastuzumabe e pertuzumabe como tratamento inicial da doença.
A pesquisa envolveu 29 pacientes que ainda não haviam recebido tratamento para o câncer metastático. Os resultados foram publicados no Journal of the National Cancer Institute.
Segundo os pesquisadores, a proposta é encontrar estratégias capazes de manter a eficácia do tratamento e, ao mesmo tempo, reduzir o impacto da quimioterapia na qualidade de vida das pacientes.
Combinação reuniu quatro terapias direcionadas
O tratamento analisado utilizou medicamentos que atuam em diferentes mecanismos relacionados ao crescimento do câncer de mama.
Foram combinados anastrozol, palbociclibe, trastuzumabe e pertuzumabe, formando um regime baseado principalmente em terapia hormonal e terapias direcionadas.
A estratégia foi estudada especialmente para pacientes com tumores HR+ e HER2+, que apresentam características biológicas específicas e podem responder a tratamentos que bloqueiam receptores hormonais e a proteína HER2.
Maioria das pacientes apresentou benefício clínico
De acordo com os resultados divulgados, cerca de 97% das participantes apresentaram benefício clínico nos primeiros seis meses de tratamento.
O tempo médio até a progressão da doença foi de aproximadamente 25 meses.
Após 39 meses de acompanhamento, 93% das participantes ainda estavam vivas, segundo os dados apresentados pelos pesquisadores.
Os resultados chamaram atenção principalmente pela possibilidade de utilizar um tratamento sem quimioterapia como primeira abordagem em determinados casos.
Qualidade de vida é um dos principais focos da pesquisa
Os cientistas destacam que uma das dificuldades no tratamento do câncer metastático é equilibrar controle da doença e qualidade de vida.
Pacientes mais idosas ou com outras condições de saúde podem apresentar maior dificuldade para tolerar regimes tradicionais de quimioterapia.
Nesse contexto, uma combinação baseada em medicamentos administrados principalmente por via oral e por injeções pode representar uma alternativa menos agressiva para alguns grupos, caso sua eficácia seja confirmada em estudos maiores.
Efeitos adversos também foram registrados
Apesar dos resultados positivos, a terapia não ficou livre de efeitos colaterais.
Entre os eventos mais frequentes estavam neutropenia, redução da quantidade de glóbulos brancos, diarreia e anemia.
Apenas uma participante deixou o estudo devido aos efeitos adversos. Uma das pacientes permaneceu utilizando a combinação durante aproximadamente seis anos, segundo os pesquisadores.
Pesquisa ainda é considerada inicial
Os próprios autores reforçam que os resultados precisam ser interpretados com cautela.
O estudo envolveu um número pequeno de participantes e não realizou comparação direta com pacientes submetidas ao tratamento padrão, que pode incluir quimioterapia associada a terapias-alvo.
Por esse motivo, a combinação ainda não pode ser considerada uma substituição estabelecida da quimioterapia para todos os casos de câncer de mama metastático HR+ e HER2+.
Novos estudos, com grupos maiores de pacientes e comparação direta entre tratamentos, serão necessários para avaliar de forma mais precisa a segurança, eficácia e duração dos benefícios dessa estratégia.

