A vacina contra o herpes-zóster pode estar associada a um menor risco de desenvolver doenças cardiovasculares, segundo um novo estudo que analisou dados de mais de 70 mil pessoas.
A pesquisa comparou pessoas que receberam diferentes versões da vacina e encontrou resultados que sugerem uma possível proteção adicional contra problemas cardíacos. Os pesquisadores, porém, ressaltam que os dados ainda não comprovam que a vacinação seja a responsável direta pela redução dos riscos.
A herpes-zóster é provocada pelo vírus varicela-zóster, o mesmo responsável pela catapora. Depois da infecção, o vírus permanece no organismo e pode voltar a se manifestar anos mais tarde, principalmente em pessoas mais velhas ou com o sistema imunológico comprometido.
A reativação provoca lesões na pele e dores intensas, quadro conhecido como cobreiro.
Estudo comparou duas versões da vacina
A análise utilizou uma espécie de “experimento natural”. Nos Estados Unidos, pessoas passaram a receber a vacina Shingrix a partir de 2017, substituindo gradualmente a Zostavax, uma versão anterior do imunizante.
Os pesquisadores compararam informações de saúde de aproximadamente 36 mil pessoas com 60 anos ou mais que receberam a Shingrix com dados de um grupo semelhante que havia tomado a Zostavax.
Ao longo de sete anos de acompanhamento, aqueles que receberam a Shingrix passaram, em média, 9% mais tempo sem apresentar doenças cardiovasculares do que os participantes imunizados com a versão anterior.
O imunizante mais recente também foi associado a um risco 12% menor de acidente vascular cerebral (AVC) entre os homens analisados.
Resultado ainda não prova relação de causa
Apesar dos resultados, os pesquisadores destacam que é necessário ter cautela na interpretação dos dados.
Estudos anteriores já haviam apontado que pessoas vacinadas contra o herpes-zóster apresentavam menos problemas cardíacos. No entanto, essas pesquisas comparavam pessoas que escolheram se vacinar com aquelas que não receberam o imunizante.
Essa diferença pode influenciar os resultados, já que quem opta pela vacinação pode também apresentar outros hábitos relacionados a uma vida mais saudável.
Por isso, ainda não é possível afirmar que a vacina seja diretamente responsável pela redução dos problemas cardiovasculares.
Por que a vacina poderia ter esse efeito?
Os pesquisadores ainda não sabem exatamente o que explicaria a associação encontrada.
Uma das hipóteses é que a vacina possa contribuir para reduzir processos inflamatórios nos tecidos e nos vasos sanguíneos, o que teria relação com a saúde cardiovascular.
No entanto, são necessários novos estudos para entender melhor essa possível relação e verificar se os resultados também aparecem em outros grupos, incluindo pessoas mais jovens.
Vacina está disponível na rede privada no Brasil
No Brasil, a Shingrix está disponível na rede privada. De acordo com as informações apresentadas no estudo, o custo pode chegar a aproximadamente R$ 2 mil pelas duas doses necessárias.
O Ministério da Saúde chegou a avaliar a possibilidade de incluir o imunizante no Programa Nacional de Imunizações (PNI), o que permitiria sua oferta gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas a proposta acabou sendo rejeitada.

