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Saúde

Estudo da USP testa nova estratégia de reposição hormonal para a menopausa

Pesquisa em animais ativou seletivamente receptor do estrogênio e apresentou melhorias metabólicas sem estimular útero; abordagem ainda não foi testada em humanos
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Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) estão estudando uma nova estratégia para o tratamento das alterações provocadas pela menopausa. O método busca atuar de forma mais específica sobre os efeitos da queda do estrogênio, sem estimular tecidos como o útero e as mamas.

Os resultados foram publicados em julho na revista científica Comprehensive Physiology e apontam que a ativação seletiva de um receptor do estrogênio pode trazer benefícios para o metabolismo.

A pesquisa, no entanto, ainda está em fase experimental e foi realizada em animais.

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Pesquisa utiliza receptor específico do estrogênio

Diferentemente da reposição hormonal convencional, que pode produzir efeitos mais amplos no organismo, os pesquisadores trabalharam com a ativação de um receptor específico chamado ERβ (receptor beta de estrogênio).

Esse receptor está relacionado a funções metabólicas e, segundo os pesquisadores, sua ativação não provocou estímulo no útero no modelo utilizado.

A proposta é investigar se uma atuação mais direcionada poderia reproduzir parte dos efeitos benéficos do estrogênio, reduzindo possíveis efeitos indesejados associados à ação hormonal em determinados tecidos.

Experimento foi realizado em ratas

Para realizar o estudo, os pesquisadores utilizaram ratas que tiveram os ovários removidos, procedimento utilizado para reproduzir características semelhantes às da menopausa.

Os animais receberam uma substância experimental desenvolvida para ativar seletivamente o receptor ERβ.

Durante os testes, os pesquisadores observaram alterações positivas em diferentes parâmetros relacionados ao metabolismo.

Resultados apontam melhora na glicemia e no colesterol

Segundo os pesquisadores, a intervenção contribuiu para melhorar a glicemia de jejum e o perfil de gorduras no sangue, além de reduzir o tamanho das células de gordura.

O fígado também foi um dos principais órgãos analisados. Os pesquisadores identificaram melhora no processamento de gorduras e redução do acúmulo de lipídios.

Em análises realizadas com células isoladas, também foi observado um aumento na utilização de ácidos graxos como fonte de energia, alteração que pode estar relacionada a um perfil mais equilibrado de colesterol e outros lipídios no sangue.

Estratégia não evitou ganho de peso

Apesar dos efeitos metabólicos observados, o tratamento não impediu o ganho de peso associado à menopausa nos animais utilizados no estudo.

Os pesquisadores ressaltam que esse resultado é importante para compreender os limites da estratégia e indica que a ativação do ERβ não necessariamente reproduz todos os efeitos do estrogênio no organismo.

Tratamento ainda não pode ser utilizado em humanos

Os resultados são considerados promissores, mas a nova estratégia ainda não foi testada em seres humanos.

Por isso, o estudo não significa que exista atualmente uma nova opção de reposição hormonal disponível para mulheres na menopausa.

A pesquisa também não substitui os tratamentos hormonais já existentes. A expectativa dos cientistas é que estudos futuros possam avaliar se estratégias mais direcionadas são seguras e eficazes em humanos e, eventualmente, ampliar as alternativas terapêuticas para a menopausa.

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