Obra lançada no YouTube de Joyce Cândido transforma canção em denúncia e afirmação do direito ao próprio corpo
O clipe da canção “O Corpo é Meu” foi lançado nesta quarta-feira (13), no canal do YouTube da cantora Joyce Cândido, uma das compositoras da obra ao lado de Flávio Pascarelli e Guilherme Sá. O single, que havia sido lançado em junho, ganhou agora uma versão audiovisual que transformou a música em manifesto.
Gravado em Manaus e no Rio de Janeiro, o clipe reuniu mais de 60 mulheres, em funções que vão do elenco à produção, direção, maquiagem e roteiro. A proposta foi dar forma visual à luta feminina pelo direito ao próprio corpo, denunciando a violência de gênero e reforçando o coro coletivo que dá título à canção.
A letra é inspirada no artigo “O mito da posse: o corpo da mulher não é propriedade”, da juíza eleitoral Giselle Falcone Medina (TRE-AM). O texto serviu como ponto de partida para a composição, que busca transformar dor em denúncia e, ao mesmo tempo, inspirar força e mudança.
Para o desembargador Flávio Pascarelli, coautor da obra, a produção audiovisual amplia o alcance da mensagem. “Queríamos algo que transcendesse o entretenimento e se tornasse um instrumento de conscientização. A arte não substitui políticas públicas, mas tem poder de sensibilizar, provocar e gerar debates”, afirmou.
A cantora Joyce Cândido destacou a entrega emocional das gravações. “Foi uma experiência intensa. A música carrega a dor e a resistência de muitas mulheres, e o clipe conseguiu traduzir isso em imagens de forma potente e respeitosa”, disse.

Já Giselle Falcone ressaltou que transformar a violência contra a mulher em arte é um ato de resistência. “É dar voz às silenciadas, confrontar a sociedade e afirmar que o corpo da mulher não é posse de ninguém. ‘O Corpo é Meu’ ecoa por todas nós”, afirmou.
O projeto fez parte da iniciativa Conexão Rio Manaus, em colaboração com a Pontes Comunicação e Arte, a Saga Publicidade e a Hype Brazil. A produção buscou valorizar a identidade amazônica, reforçando que a luta contra a violência de gênero é global, mas também profundamente local.
Segundo Pascarelli, o maior desafio foi equilibrar o impacto estético com a sensibilidade do tema. “Não queríamos cair no sensacionalismo, mas também não podíamos suavizar a mensagem. O resultado conseguiu expressar força, emoção e, acima de tudo, um grito de liberdade e respeito.”
Assista ao clipe:


