O Festival de Parintins é um dos maiores espetáculos culturais do Norte do Brasil, reunindo todos os anos tradição, emoção e identidade na disputa entre Boi Garantido e Boi Caprichoso.
Mais do que alegorias grandiosas, o festival é construído por elementos que vão além da arena, e entre eles, as toadas ocupam um papel central, sendo responsáveis por traduzir em música a alma do povo amazônico.
Entre essas composições que marcaram época está “A Contagem”, uma toada que se tornou referência dentro do Bumbódromo e carrega a assinatura de um nome importante da cultura parintinense: Joel Gama Gadelha.
Quem foi Joel Gama Gadelha
Natural de Parintins, Joel Gama Gadelha foi um compositor ligado às raízes do boi-bumbá, conhecido por sua simplicidade e pela forma autêntica com que vivia e expressava a cultura local.
Mais do que músico, ele era alguém que respirava o festival, transformando experiências do cotidiano em composições que dialogavam diretamente com o público.
Esse legado segue vivo na memória da família e de quem acompanha o festival, como relembra seu neto, Rômulo Garcia:
“Joel Gama Gadelha era o meu avô. Um homem simples, parintinense, que sabia viver como ninguém a cultura do boi-bumbá.”
Uma ideia simples que virou um clássico
“A Contagem” nasceu de algo que já fazia parte do universo do boi: a chamada antes da apresentação. A proposta era transformar aquele momento de expectativa em uma toada que conduzisse o público até a explosão na arena.
“A toada surgiu de uma ideia que já existia no boi, de fazer a chamada fazendo uma contagem de 1 até 3.”
A simplicidade da ideia foi justamente o que tornou a música tão forte, direta, envolvente e fácil de ser incorporada pelas galeras.
Da simplicidade à consagração
A composição seguiu um processo simples, feito com violão e caderno, respeitando o ritmo tradicional do boi. Essa construção orgânica ajudou a preservar a essência da cultura parintinense.
Criada no fim de 1995, a toada ganhou projeção no ano seguinte ao ser escolhida como faixa de abertura do CD de 1996 do Garantido. Na arena, rapidamente se consolidou como um dos momentos mais marcantes do festival.
“Uma letra simples e forte, objetiva e imponente.”
Um legado que permanece vivo
Com o passar dos anos, “A Contagem” deixou de ser apenas uma música para se tornar parte da memória afetiva do festival. Ela representa não só um momento da apresentação, mas uma conexão entre passado e presente.
“Essa toada traz muitas lembranças de vários festivais… partes da nossa vida que ficaram eternizadas.”
Décadas depois, a obra de Joel Gama Gadelha continua ecoando no Bumbódromo, mostrando que algumas toadas ultrapassam o tempo e se transformam em símbolos culturais.
“É a força do tambor misturado com o canto forte das galeras…”
Assim, “A Contagem” não é apenas um clássico, é a prova de que o Festival de Parintins é feito por histórias, por pessoas e por músicas que seguem vivas geração após geração.


