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Saúde

Estudos investigam se canetas para diabetes e obesidade podem ajudar no tratamento do câncer

Pesquisas apontam redução no risco de progressão de alguns tipos de câncer em pacientes que utilizam medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, mas especialistas alertam que ainda não há comprovação de efeito direto contra a doença
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Medicamentos utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, vêm despertando o interesse da comunidade científica por um possível benefício adicional: reduzir a progressão de alguns tipos de câncer.

Os medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, como a semaglutida e a tirzepatida, já são amplamente utilizados no controle do peso e da glicemia. Agora, pesquisas investigam se eles também podem contribuir para melhorar o prognóstico de pacientes oncológicos.

Estudo aponta menor risco de metástase

Um dos principais trabalhos apresentados durante o congresso anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) 2025 analisou dados de 12.112 pacientes com câncer e obesidade.

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A pesquisa avaliou pacientes com câncer de mama, próstata, pulmão, colorretal, fígado, rim e pâncreas em estágios iniciais ou localmente avançados e comparou aqueles que utilizavam medicamentos da classe GLP-1 com pacientes que não faziam uso dessas terapias.

Os resultados mostraram que, em quatro dos sete tipos de câncer avaliados, os usuários dos agonistas de GLP-1 apresentaram menor risco de desenvolver metástases.

Entre os principais resultados observados estão:

  • Câncer de pulmão: progressão para doença metastática em 10% dos usuários do medicamento, contra 22% entre os demais pacientes;
  • Câncer de mama: 10% contra 20%;
  • Câncer colorretal: 13% contra 22%;
  • Câncer de fígado: 19% contra 28%.

Na análise dos pesquisadores, isso representou uma redução entre 38% e 56% no risco de progressão para doença metastática nesses quatro tipos de câncer.

Benefício ainda não está totalmente explicado

Apesar dos resultados promissores, os especialistas ressaltam que ainda não é possível afirmar que os medicamentos combatem diretamente o câncer.

Uma das hipóteses é que os benefícios observados sejam consequência da perda de peso, da redução da inflamação e da melhora do metabolismo, fatores que podem favorecer um ambiente menos propício ao desenvolvimento dos tumores.

Além disso, o tecido adiposo produz substâncias capazes de influenciar diversos processos biológicos relacionados ao crescimento das células tumorais.

Nem todos os tumores apresentaram benefício

O estudo também mostrou que os resultados não foram iguais para todos os tipos de câncer.

Nos casos de câncer de próstata e rim, por exemplo, não foi observada redução significativa na progressão da doença, indicando que os efeitos podem variar conforme as características biológicas de cada tumor.

Especialistas explicam que diferentes tipos de câncer possuem mecanismos distintos de desenvolvimento e resposta aos tratamentos, o que pode justificar essas diferenças.

Ainda não há indicação para tratar câncer

Os pesquisadores reforçam que os dados disponíveis não permitem concluir que as canetas emagrecedoras previnem ou tratam o câncer.

Grande parte das evidências atuais vem de estudos retrospectivos, que analisam bancos de dados já existentes. Esse tipo de pesquisa é importante para levantar hipóteses, mas não estabelece relação de causa e efeito.

Segundo os especialistas, serão necessários ensaios clínicos prospectivos e randomizados para confirmar se os benefícios observados realmente são provocados pelos medicamentos.

Atualmente, semaglutida, tirzepatida e outros agonistas de GLP-1 continuam indicados apenas para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, sempre com prescrição e acompanhamento médico.

Massa muscular também é fundamental

Outro ponto destacado pelos especialistas é que a perda de peso, isoladamente, não garante melhores resultados no tratamento oncológico.

A preservação da massa muscular é considerada essencial, pois influencia diretamente a capacidade funcional, a resposta ao tratamento e a recuperação dos pacientes.

Quando ocorre uma perda excessiva de massa muscular, pode haver o desenvolvimento de caquexia, condição associada a pior prognóstico em diversos tipos de câncer.

Por isso, caso pacientes oncológicos utilizem medicamentos para emagrecimento, o tratamento deve ser acompanhado de forma individualizada, com alimentação adequada, prática de atividade física e monitoramento médico constante.

 

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