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Audiência nos EUA debate novas tarifas contra produtos brasileiros; decisão final deve sair em 15 de julho

Representantes do setor produtivo participam da última etapa de negociações antes da definição sobre uma possível tarifa de 25% sobre importações brasileiras
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O governo dos Estados Unidos inicia, nesta segunda-feira (6), a audiência pública que discutirá a proposta de aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros. A reunião faz parte da fase final da investigação conduzida pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), e a decisão definitiva está prevista para 15 de julho.

Caso a proposta seja mantida, os produtos brasileiros poderão ser alvo de uma tarifa de até 25% ao entrarem no mercado norte-americano.

Por que os Estados Unidos querem impor novas tarifas?

No relatório da investigação, o USTR apresenta uma série de argumentos para justificar a medida. Entre os principais pontos estão:

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  • Funcionamento do Pix;
  • Acordos comerciais considerados preferenciais;
  • Política tarifária sobre o etanol;
  • Decisões judiciais envolvendo empresas de tecnologia;
  • Combate à corrupção;
  • Pirataria física e digital;
  • Lentidão na concessão de patentes;
  • Desmatamento ilegal e fiscalização ambiental.

Pix é um dos principais pontos da investigação

Segundo o governo norte-americano, o Banco Central exerce simultaneamente as funções de regulador e operador do Pix, o que, na avaliação do USTR, poderia favorecer o sistema em relação a outras plataformas de pagamento, incluindo empresas dos Estados Unidos.

O relatório também questiona regras como a gratuidade para pessoas físicas, a limitação de tarifas para empresas e a obrigatoriedade de destaque do Pix nos aplicativos bancários.

Acordos comerciais e etanol

Outro ponto levantado pelos Estados Unidos diz respeito aos acordos tarifários firmados pelo Brasil com países como México e Índia, considerados pelo governo americano como um fator que reduz a competitividade dos produtos norte-americanos no mercado brasileiro.

O documento também critica a política brasileira para o etanol, destacando que, desde 2023, o Brasil passou a cobrar 18% de tarifa sobre o etanol importado dos Estados Unidos, enquanto o combustível brasileiro continua tendo acesso ao mercado americano.

Justiça, corrupção e propriedade intelectual

O relatório ainda faz críticas ao ambiente jurídico brasileiro, citando decisões judiciais envolvendo plataformas digitais como X, Meta e Google, além de mencionar alterações no entendimento do Marco Civil da Internet.

Também aparecem entre as justificativas:

  • Alegações de falhas no combate à corrupção;
  • Críticas à condução de acordos relacionados à Operação Lava Jato;
  • Questionamentos sobre o combate à pirataria;
  • Reclamações quanto à demora na análise de pedidos de patentes, especialmente na área farmacêutica.

Desmatamento também entra na lista

O governo dos Estados Unidos afirma ainda que existem falhas na fiscalização do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e no combate ao desmatamento ilegal, o que, segundo o documento, permitiria que produtos agropecuários oriundos de áreas desmatadas chegassem ao mercado internacional com custos menores.

O relatório também aponta problemas na rastreabilidade da madeira e do gado, alegando possível concorrência desleal em relação aos produtores norte-americanos.

Como será a audiência

A audiência será dividida em 14 painéis, com início às 9h (horário de Brasília).

Participam representantes de empresas, associações, federações, câmaras de comércio, consultorias, escritórios especializados, importadores e demais entidades do setor produtivo, que terão cinco minutos para apresentar argumentos técnicos sobre os impactos econômicos da possível tarifa.

Após as apresentações, os participantes responderão a questionamentos feitos pelo USTR antes da conclusão da análise.

A expectativa é que o governo norte-americano anuncie a decisão final sobre as tarifas em 15 de julho.

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