Uma pesquisa publicada na revista científica The EMBO Journal identificou uma proteína que desempenha um papel importante no processo de armazenamento de gordura pelo organismo. Segundo os pesquisadores, a proteína MTCH2 influencia a transformação de células jovens em células de gordura maduras, responsáveis por armazenar lipídios.
Embora os resultados sejam considerados promissores para a compreensão do metabolismo, o estudo foi realizado apenas em células cultivadas em laboratório e ainda não foi testado em animais ou seres humanos.
Como a pesquisa foi realizada
Os cientistas utilizaram dois tipos de células frequentemente empregados em estudos científicos: células HeLa e pré-adipócitos NIH3T3-L1, que possuem capacidade de se transformar em células de gordura.
Para entender a função da proteína MTCH2, a equipe utilizou a técnica de edição genética CRISPR-Cas9 para remover a proteína das células. Em seguida, comparou o comportamento dessas células com o de células que permaneceram intactas.
Durante os experimentos, foram avaliados fatores como produção de energia, consumo de nutrientes e o processo de transformação das células ao longo do tempo.
O que os pesquisadores descobriram
Sem a presença da MTCH2, as células passaram a gastar mais energia e utilizar com maior intensidade gorduras, açúcares e aminoácidos como fonte de combustível.
Ao mesmo tempo, elas apresentaram dificuldade para completar o processo de amadurecimento necessário para se tornarem células de gordura.
Os resultados mostraram que:
- Entre 80% e 90% das células normais se transformaram em células de gordura maduras;
- Nas células sem a proteína MTCH2, esse percentual caiu para entre 5% e 10%;
- As células modificadas também acumularam muito menos gordura ao longo do experimento.
Segundo os autores, esses achados sugerem que a MTCH2 ajuda a equilibrar o gasto de energia e o armazenamento de gordura dentro das células.
O que a descoberta significa
Apesar da relevância científica, os pesquisadores reforçam que a descoberta não significa que bloquear essa proteína faça uma pessoa emagrecer ou represente um novo tratamento contra a obesidade.
Como o estudo foi realizado exclusivamente em laboratório, ainda serão necessários testes em animais e, posteriormente, em seres humanos para verificar se o mesmo mecanismo ocorre no organismo.
Por enquanto, a principal contribuição da pesquisa é ampliar o conhecimento sobre como as células de gordura se desenvolvem e quais mecanismos biológicos estão envolvidos no processo de armazenamento de lipídios.


