A União Europeia intensificou os preparativos para lançar o euro digital, uma versão eletrônica da moeda oficial do bloco que será emitida pelo Banco Central Europeu (BCE). A iniciativa faz parte da estratégia para modernizar os meios de pagamento e diminuir a dependência de plataformas controladas por empresas de fora da Europa.
O projeto ganhou força diante da preocupação das autoridades europeias com a concentração do mercado de pagamentos. Atualmente, cerca de dois terços das operações realizadas com cartões na zona do euro são processadas por empresas estrangeiras, cenário considerado um desafio para a autonomia financeira do bloco.
Moeda digital terá funções diferentes do Pix
Apesar de ser frequentemente comparado ao Pix, o euro digital terá uma proposta diferente.
Enquanto o sistema brasileiro funciona como uma plataforma de pagamentos instantâneos, o euro digital será uma versão eletrônica da moeda física, permitindo que cidadãos e empresas realizem pagamentos em estabelecimentos comerciais, compras pela internet e transferências entre pessoas utilizando dinheiro emitido diretamente pelo Banco Central Europeu.
A expectativa é ampliar as opções de pagamento disponíveis para a população, oferecendo uma alternativa pública e segura ao dinheiro em espécie e aos sistemas privados.
Projeto avança para as próximas etapas
O cronograma prevê que a regulamentação do euro digital seja concluída em 2026. Já a fase de testes está prevista para 2027, quando serão avaliados aspectos técnicos, operacionais e de segurança da nova moeda.
Caso o calendário seja mantido, o lançamento oficial do euro digital deverá ocorrer em 2029, tornando a União Europeia uma das principais economias do mundo a adotar uma moeda digital emitida por seu banco central.
Objetivo é fortalecer a soberania financeira
Além de acompanhar a transformação digital dos sistemas financeiros, o projeto busca fortalecer a soberania econômica da União Europeia, reduzindo a dependência de empresas internacionais responsáveis pelo processamento de pagamentos eletrônicos.
Segundo as autoridades europeias, a iniciativa faz parte de uma estratégia para garantir maior controle sobre a infraestrutura financeira do bloco, aumentar a segurança das transações e ampliar a competitividade do sistema de pagamentos europeu.


