O Amazonas registrou 10 casos importados de sarampo em 2026, segundo dados do Ministério da Saúde atualizados até 5 de outubro. O número coloca o estado atrás apenas de São Paulo entre as unidades da federação com registros da doença neste ano.
Ao todo, o Brasil contabiliza 52 casos importados, sendo 41 em São Paulo, 10 no Amazonas e um no Rio de Janeiro.
Apesar das ocorrências, o país continua classificado como livre da circulação endêmica do sarampo, o que significa que não há transmissão sustentada do vírus em território nacional.
Ações são reforçadas na tríplice fronteira
No Amazonas, a atenção está concentrada principalmente na região da tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, onde medidas de prevenção e controle foram intensificadas após a confirmação dos casos importados.
As ações incluem vacinação, busca ativa de possíveis casos, investigação de suspeitas, coleta de amostras, acompanhamento de pessoas que tiveram contato com infectados e bloqueio vacinal.
Equipes federais também atuam no apoio às medidas desenvolvidas na região.
Cenário nas Américas mantém autoridades em alerta
O monitoramento foi reforçado diante do avanço do sarampo em outros países do continente americano.
Segundo as informações divulgadas pelo Ministério da Saúde, Estados Unidos, Guatemala, México, Peru e Canadá concentram mais de 95% dos casos confirmados nas Américas em 2026, conforme dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
Nos Estados Unidos, o número de registros neste ano é o maior observado em mais de três décadas. Mais de 90% das pessoas infectadas no país não estavam vacinadas ou apresentavam situação vacinal desconhecida, segundo os dados citados pelo ministério.
Cobertura vacinal no Amazonas chegou a 89,54%
A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é a principal forma de prevenção contra a doença.
Em 2025, a cobertura da primeira dose chegou a 93,10% no Brasil. No Amazonas, o índice foi de 89,54%, enquanto São Paulo registrou 94,39%.
Ao longo de 2026, cerca de 192 mil doses contra o sarampo foram aplicadas no Amazonas durante quatro grandes mobilizações de vacinação. Em São Paulo, foram mais de 3,8 milhões.
A orientação para pessoas com doses atrasadas é procurar uma unidade de saúde para atualizar a caderneta conforme as recomendações do Programa Nacional de Imunizações.
Crianças também recebem estratégia de proteção
Entre as medidas adotadas está a chamada dose zero, direcionada a crianças de 6 a 11 meses e 29 dias em situações previstas pela estratégia de vacinação.
A aplicação é adicional e não substitui as doses de rotina do calendário infantil, previstas aos 12 e 15 meses.
Brasil mantém certificação
O Brasil recuperou, em novembro de 2024, a certificação de país livre da circulação endêmica do sarampo após interromper a transmissão sustentada da doença.
Entre 2023 e 2025, foram confirmados 85 casos de sarampo no país, sem registro de mortes.
Mesmo com a certificação, casos podem chegar ao Brasil a partir de outros países. Por isso, a manutenção da cobertura vacinal e a identificação rápida de casos suspeitos são consideradas fundamentais para evitar que o vírus volte a circular de maneira sustentada.

