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R$ 1,25 milhão em espécie levou PF a investigar contratos e agentes públicos de Coari

Apuração avançou da apreensão de dinheiro em aeroporto para suspeitas envolvendo empresas, licitações e recursos públicos; Adail Pinheiro e Adail Filho estão entre os investigados
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Uma apreensão de R$ 1,25 milhão em dinheiro vivo no Aeroporto de Brasília, em maio de 2025, foi o ponto de partida de uma investigação que, mais de um ano depois, chegou a contratos públicos de Coari e colocou empresários e agentes políticos do Amazonas no centro das apurações da Polícia Federal.

O caso resultou na Operação Dinastia do Lago, deflagrada nesta quarta-feira (16). Entre os investigados estão o prefeito de Coari, Adail Pinheiro (Republicanos), e o deputado federal Adail Filho (MDB), além de empresários relacionados às movimentações analisadas.

A Polícia Federal investiga se empresas teriam sido favorecidas em contratações públicas e posteriormente utilizadas em movimentações financeiras destinadas, em tese, ao pagamento de vantagens indevidas e à ocultação dos beneficiários do dinheiro.

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A PF informou oficialmente que a investigação apura possíveis crimes de organização criminosa, fraude à licitação, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.

A investigação começou longe de Coari

Em maio de 2025, os empresários Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Wagner Santos Moutinho foram abordados no Aeroporto de Brasília quando transportavam cerca de R$ 1,25 milhão em espécie em um voo entre Manaus e a capital federal.

Na ocasião, segundo as informações da investigação divulgadas pela imprensa, não foi apresentada comprovação da origem do dinheiro.

O episódio fez com que a PF aprofundasse a apuração. Documentos, dispositivos eletrônicos e informações financeiras passaram a ser examinados com autorização judicial.

Foi a partir desse material que os investigadores passaram a analisar possíveis conexões entre empresários, empresas contratadas pelo poder público, movimentações financeiras e pessoas ligadas à administração de Coari.

Contratos públicos entraram no radar

Com o avanço das diligências, a investigação deixou de se concentrar apenas no dinheiro encontrado em Brasília.

A PF passou a examinar empresas com contratos mantidos com o município de Coari e a forma como determinadas contratações teriam sido realizadas.

A suspeita investigada é de que algumas empresas poderiam ter sido beneficiadas em processos de contratação pública. Depois da entrada dos recursos provenientes desses contratos, os investigadores identificaram movimentações que consideraram suspeitas.

É justamente nesse ponto que a investigação tenta reconstruir o caminho do dinheiro.

A apuração busca descobrir quem controlava ou se beneficiava das empresas, como os contratos eram obtidos, para onde os pagamentos eram posteriormente transferidos e quem teria recebido os recursos ao final das movimentações.

A Controladoria-Geral da União (CGU), que participa da operação, informou que realizou levantamentos relacionados às pessoas físicas e jurídicas investigadas, à participação delas em licitações e contratos e à origem dos recursos envolvidos nos pagamentos.

Onde aparecem Adail Pinheiro e Adail Filho

O prefeito Adail Pinheiro e o deputado federal Adail Filho aparecem entre os alvos da investigação conduzida pela PF.

No caso do parlamentar, documentos e dispositivos analisados durante as diligências teriam indicado, segundo a investigação, repasses realizados por pessoas jurídicas vinculadas aos investigados em benefício dele e de seu pai.

Esses elementos levaram à abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal, após pedido da Procuradoria-Geral da República. O caso tramita na Corte por envolver deputado federal.

As autoridades ainda apuram a natureza desses repasses e a eventual responsabilidade individual das pessoas envolvidas. Portanto, a existência das movimentações apontadas pela investigação não representa comprovação de pagamento de propina nem condenação dos citados.

Emendas parlamentares também são rastreadas

Outra frente aberta pelos investigadores envolve recursos federais enviados para Coari por meio de emendas parlamentares em 2024 e 2025.

A análise procura identificar como esses recursos foram utilizados e verificar se há relação entre os valores, contratos públicos e movimentações financeiras encontradas durante a investigação.

Dessa forma, a apuração passou a abranger diferentes etapas da circulação dos recursos públicos, desde a entrada do dinheiro destinado ao município até os pagamentos realizados a empresas contratadas.

Operação encontrou quase R$ 1 milhão em espécie

A investigação acumulada desde 2025 resultou na operação realizada nesta quarta-feira.

A PF cumpriu 29 mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari, além de outras medidas cautelares determinadas pelo Supremo.

Durante as diligências, foram encontrados aproximadamente R$ 990 mil em dinheiro, além de US$ 10 mil e € 1.255, conforme informações divulgadas sobre a ação.

Também foram apreendidos 21 veículos, distribuídos entre endereços em Manaus e Coari. Relógios e joias aparecem entre os materiais encontrados durante as buscas.

Os bens agora integram o material que poderá ser analisado pelos investigadores. A apreensão, por si só, não comprova que os valores ou objetos tenham origem ilícita.

Investigação ainda busca definir responsabilidades

A Operação Dinastia do Lago não encerra o caso. As diligências servem justamente para reunir elementos que permitam esclarecer se houve irregularidades e qual teria sido a participação de cada investigado.

Segundo a PF, estão sob apuração possíveis crimes de organização criminosa, fraude à licitação, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.

A defesa de Adail Pinheiro e Adail Filho afirmou ter recebido as medidas com surpresa, destacou que os dois não foram condenados pelos fatos investigados e informou que busca acesso aos autos. Os advogados também pretendem recorrer da medida que afastou o prefeito do cargo.

As suspeitas permanecem sob investigação e ainda serão submetidas às etapas do processo judicial.

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