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Saúde

Fumaça das queimadas pode atingir regiões profundas dos pulmões e afetar o organismo

Partículas finas presentes no ar conseguem chegar aos alvéolos; crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias estão entre os grupos mais vulneráveis
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A fumaça produzida pelas queimadas não provoca apenas irritação nos olhos, nariz e garganta. As partículas mais finas presentes nesse tipo de poluição podem alcançar regiões profundas dos pulmões e desencadear efeitos que vão além do sistema respiratório.

Entre os principais componentes está o material particulado fino PM2,5, formado por partículas com dimensões suficientemente pequenas para chegar aos alvéolos pulmonares. A exposição também pode provocar processos inflamatórios com repercussões na circulação sanguínea e em outros órgãos.

Além do material particulado, a fumaça das queimadas contém uma mistura de poluentes, incluindo monóxido de carbono, óxidos de nitrogênio e diferentes compostos orgânicos.

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Quem precisa ter mais cuidado?

Alguns grupos apresentam maior vulnerabilidade aos efeitos da poluição provocada pela fumaça, principalmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças cardiovasculares ou respiratórias crônicas, como asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

Nas crianças, características do sistema respiratório e a maior frequência respiratória em relação ao peso corporal podem aumentar a exposição aos poluentes. Entre idosos, a menor reserva funcional do organismo pode favorecer agravamentos de condições preexistentes.

Umidificador e lavagem nasal ajudam, mas têm limitações

Durante períodos de fumaça e baixa umidade, recursos como umidificadores, toalhas úmidas e recipientes com água podem ajudar a reduzir o desconforto provocado pelo ressecamento das mucosas.

Essas medidas, porém, não retiram o material particulado do ambiente e não impedem que partículas finas sejam inaladas.

A lavagem nasal com solução salina também pode auxiliar na remoção de resíduos presentes na mucosa, mas não funciona como proteção contra partículas capazes de alcançar regiões mais profundas dos pulmões.

O uso inadequado de umidificadores também exige atenção. Sem limpeza frequente, os aparelhos podem favorecer a proliferação de fungos e ácaros.

Como reduzir a exposição dentro de casa

Nos momentos em que a qualidade do ar estiver pior, a recomendação apresentada pelos especialistas é manter portas e janelas fechadas, principalmente nos ambientes onde as pessoas permanecem por mais tempo.

Também é indicado evitar fontes adicionais de poluição dentro de casa, como cigarros, velas, incensos e produtos com odores intensos.

Na limpeza, o pano úmido é uma alternativa para evitar que partículas depositadas nas superfícies voltem a ficar suspensas no ambiente.

Purificadores equipados com filtros HEPA podem ajudar a reter parte significativa do material particulado, desde que o equipamento seja adequado ao tamanho do ambiente e esteja com a manutenção em dia.

PFF2 e N95 oferecem maior proteção contra partículas

Quando for necessário sair durante períodos de fumaça intensa, máscaras de pano ou cirúrgicas oferecem proteção limitada contra partículas muito pequenas.

Respiradores PFF2 ou N95, quando corretamente ajustados ao rosto, apresentam maior capacidade de filtragem do material particulado.

Mesmo esses equipamentos, entretanto, não filtram todos os gases presentes na fumaça. Por isso, reduzir o tempo de exposição continua sendo uma medida importante.

Exercícios ao ar livre devem ser evitados

A prática de exercícios físicos ao ar livre durante episódios de qualidade do ar inadequada também merece atenção. Durante o esforço, a respiração se torna mais intensa, aumentando a quantidade de ar e, consequentemente, de poluentes inalados.

A exposição frequente à fuligem está associada a processos inflamatórios e redução da função pulmonar, especialmente quando ocorre de forma contínua ou repetida.

Sintomas como falta de ar progressiva, chiado no peito, dor no peito ou alteração do nível de consciência exigem avaliação médica, sobretudo quando há piora rápida ou ausência de resposta ao tratamento habitualmente utilizado por pessoas com doenças respiratórias.

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