O Senado do Paraguai aprovou, nesta sexta-feira (6), o impeachment do presidente Santiago Peña, em meio a uma crise política e financeira provocada pelo colapso do Ueno Bank. A votação terminou com 44 votos favoráveis e uma ausência.
A Câmara dos Deputados já havia aprovado o impeachment na quinta-feira (5). Peña chegou a anunciar sua renúncia, mas parlamentares defenderam a continuidade do processo para evitar que ele mantivesse o foro privilegiado.
O presidente não compareceu à sessão do Senado e foi representado por seus advogados. Com a destituição, o vice-presidente Pedro Alliana deve assumir o comando do país.
Entenda o caso
A crise começou na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai iniciou o processo de liquidação do Ueno Bank após identificar problemas de solvência relacionados a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao grupo controlador da instituição.
O fechamento do banco afetou aproximadamente 3 milhões de clientes. A instituição também concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos ligados à previdência social.
O escândalo atingiu Santiago Peña porque ele foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank, até março de 2025. A oposição acusa o presidente de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e possível encobrimento de irregularidades.
Peña afirmou que os responsáveis por eventuais irregularidades deverão responder perante a Justiça. Ele também defendeu medidas para acelerar a devolução dos recursos aos clientes prejudicados.
A destituição representa uma consequência política da crise bancária, enquanto as acusações de irregularidades financeiras ainda dependem de apuração.

