O Brasil continua com a maior taxa de juros reais entre 40 economias analisadas pela MoneYou, em parceria com a Lev Intelligence. O levantamento, divulgado na quarta-feira (4), aponta que os juros brasileiros chegaram a 9,49% ao ano, após a decisão do Banco Central de manter a Selic em 13,75%.
A taxa representa uma elevação em relação à pesquisa anterior, realizada em setembro, quando os juros reais estavam em 8,45%. O indicador considera a taxa de juros descontada da inflação projetada para os próximos 12 meses.
Na segunda posição aparece a Turquia, com 7,77%, seguida pela Argentina, com 6,80%, e pela Rússia, com 6,57%.
A diferença entre Brasil e Turquia passou de 1,66 para 1,72 ponto percentual, ampliando a liderança brasileira no levantamento.
Como o Brasil se compara a outras economias?
Os números mostram uma diferença significativa entre os juros praticados no Brasil e os registrados em outras grandes economias.
Nos Estados Unidos, a taxa real é de 0,46%, enquanto a China registra 0,21% e o Reino Unido, 0,27%.
Na América Latina, além do Brasil e da Argentina, aparecem entre os primeiros colocados a Colômbia, com 4,05%, e o México, com 3,26%.
Já países como Japão, Suíça e Suécia apresentam juros reais negativos.
Banco Central interrompe sequência de cortes
A permanência da Selic em 13,75% foi decidida por unanimidade pelo Comitê de Política Monetária (Copom), encerrando uma sequência de cinco reduções consecutivas ao longo de 2026.
Desde março, a taxa básica vinha sendo reduzida em 0,25 ponto percentual a cada reunião.
Segundo o Banco Central, a decisão de interromper os cortes considera fatores como a elevação das expectativas de inflação, a desvalorização do real e a desaceleração da atividade econômica.
O Copom avaliou que o cenário exige cautela para garantir a convergência da inflação à meta estabelecida.
O que os juros elevados significam para a economia?
Os juros reais representam o rendimento das aplicações financeiras ou o custo do crédito depois de considerada a inflação.
Quando permanecem elevados, tendem a encarecer empréstimos e financiamentos, dificultando o acesso ao crédito por famílias e empresas.
Por outro lado, taxas mais altas também são utilizadas pelo Banco Central para conter o consumo e reduzir pressões sobre os preços.
A manutenção da Selic indica que a autoridade monetária pretende acompanhar a evolução da inflação e da atividade econômica antes de decidir sobre novos cortes.

