O aumento dos casos de sífilis congênita em Manaus acendeu um alerta para a importância da prevenção e do acompanhamento médico durante a gravidez. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), divulgados nesta quinta-feira (22), apontam que as notificações da doença em recém-nascidos cresceram 37,5% em 2026, na comparação com a média mensal do ano passado.
Atualmente, a capital registra uma média de 33 casos de sífilis congênita por mês, contra 24 notificações mensais em 2025.
Entre as gestantes, também houve aumento. A média passou de 198 para 208 casos por mês, uma elevação de 5,1%.
Os números reforçam a necessidade de identificar a infecção ainda durante o pré-natal, já que o tratamento adequado pode evitar que a bactéria seja transmitida da mãe para o bebê.
Sífilis pode ser transmitida ao bebê durante a gestação
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum. A transmissão ocorre principalmente por relações sexuais sem preservativo.
Durante a gravidez, a bactéria pode atravessar a placenta e atingir o bebê, provocando a chamada sífilis congênita.
Quando não identificada e tratada adequadamente, a infecção pode causar aborto, morte fetal, alterações no desenvolvimento, problemas auditivos e visuais, além de comprometimento de diferentes órgãos.
Segundo a técnica do Núcleo de Controle de HIV/Aids, ISTs e Hepatites Virais da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Ylara Costa, o início do tratamento é um fator decisivo para reduzir os riscos.
Quanto mais tempo a gestante permanece com a infecção sem tratamento, maiores podem ser as consequências para a criança.
Infecção pode passar despercebida por meses ou anos
Uma das dificuldades no controle da sífilis é que a doença nem sempre apresenta sintomas evidentes.
Em sua fase inicial, podem surgir feridas na região genital ou na boca. Posteriormente, a infecção pode provocar manchas na pele.
Essas manifestações, no entanto, podem desaparecer espontaneamente, levando a pessoa a acreditar que está curada.
O desaparecimento dos sintomas não significa que a bactéria foi eliminada do organismo.
Sem tratamento, a infecção pode permanecer por muitos anos e, em fases mais avançadas, comprometer o sistema nervoso, a visão, a audição e outros órgãos.
Por isso, a testagem é importante mesmo quando não existem sinais aparentes da doença.
Gestantes devem realizar testes durante toda a gravidez
Para ampliar a identificação precoce da sífilis, a rede municipal de saúde de Manaus passou a orientar a realização de três testagens durante o pré-natal, uma em cada trimestre da gestação.
A medida foi adotada em março de 2026 pelo Comitê Municipal de Prevenção da Transmissão Vertical.
A testagem adicional busca identificar situações em que a infecção não foi detectada inicialmente, além de novos casos e possíveis reinfecções durante a gravidez.
O teste rápido de sífilis está disponível nas unidades de saúde de Manaus, é realizado com uma pequena amostra de sangue e apresenta resultado em aproximadamente 30 minutos.
A recomendação é que mulheres que estejam planejando engravidar ou que já tenham confirmado a gestação procurem atendimento o quanto antes para iniciar o acompanhamento pré-natal.
Tratamento precisa ser realizado até o fim
A sífilis tem cura, e o tratamento é feito com antibiótico, principalmente a penicilina, conforme o estágio da infecção e a avaliação dos profissionais de saúde.
Em determinadas situações, o esquema exige aplicações semanais, o que torna fundamental respeitar os intervalos e completar todas as doses prescritas.
A interrupção do tratamento pode comprometer sua eficácia e, em alguns casos, exigir que ele seja reiniciado.
Outro cuidado importante é a avaliação e o tratamento das parcerias sexuais, quando indicado, para reduzir o risco de reinfecção da gestante.
A ausência de sintomas após as primeiras doses não deve ser interpretada como confirmação de cura.
Preservativo e testagem ajudam a interromper a transmissão
Além do acompanhamento durante a gravidez, a prevenção da sífilis envolve o uso de preservativos e a realização periódica de exames para infecções sexualmente transmissíveis.
A orientação divulgada pela rede municipal de saúde é que pessoas sexualmente ativas realizem testagem para ISTs pelo menos uma vez ao ano, mesmo na ausência de sintomas.
A campanha Outubro Verde, realizada neste mês, reforça a importância do diagnóstico precoce, da prevenção e do tratamento adequado para reduzir a transmissão da sífilis durante a gestação.
Com o crescimento das notificações em Manaus, a identificação da doença nas primeiras etapas da gravidez e a continuidade do acompanhamento pré-natal tornam-se medidas especialmente importantes para proteger a saúde das mães e dos bebês.

