Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro mencionam supostos pagamentos mensais de R$ 500 mil destinados a Kevin Marques, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kássio Nunes Marques.
Os diálogos teriam ocorrido entre Vorcaro e Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, nos anos de 2024 e 2025. O material foi encaminhado a ministros do STF.
Nas conversas, Rennó faz referências a pagamentos que teriam relação com a empresa Consult Inteligência Tributária. As mensagens, no entanto, não demonstram isoladamente que os valores tenham sido efetivamente pagos nem estabelecem, por si só, eventual irregularidade.
Ministro nega que filho tenha prestado serviços ao Master
Durante sessão do STF nesta terça-feira (15), Nunes Marques negou que o filho tenha prestado serviços ao Banco Master.
O ministro também afirmou que nunca trocou mensagens com Daniel Vorcaro.
A assessoria de Kevin Marques foi procurada para comentar as informações, mas, conforme o relato publicado até então, não havia manifestação apresentada.
Nome aparece em conversa sobre decisão do STF
Uma das referências a Kevin Marques aparece em outubro de 2024, durante uma conversa entre Vorcaro e Rennó sobre um processo envolvendo precatórios do setor sucroalcooleiro.
O caso estava relacionado à destilaria Alcídia, do grupo Atvos, que buscava uma reparação da União por prejuízos atribuídos a medidas adotadas na década de 1980.
Uma decisão favorável à empresa poderia ter reflexos sobre uma carteira de precatórios do setor mantida pelo Banco Master que, segundo a Polícia Federal, ultrapassava R$ 10 bilhões.
Naquele julgamento, a tese favorável à Alcídia venceu por 3 votos a 2.
Os ministros Edson Fachin, Dias Toffoli e Nunes Marques votaram favoravelmente à usina. Gilmar Mendes e André Mendonça ficaram vencidos.
Nunes Marques havia inicialmente declarado impedimento para participar do julgamento, mas posteriormente reviu a posição e votou no processo.
Após o resultado, Rennó teria informado Vorcaro sobre a vitória e, na sequência, compartilhado o contato de Kevin Marques.
Valor de R$ 500 mil aparece em conversa de 2025
O nome do filho do ministro voltou a aparecer nas mensagens em julho de 2025.
Segundo o conteúdo obtido pela investigação, Rennó encaminhou novamente o contato de Kevin e mencionou o valor de “500 mil mês”, questionando Vorcaro sobre a manutenção do suposto pagamento.
No mês seguinte, uma nova conversa fez referência a pagamentos considerados essenciais e à Consult, seguida novamente pelo compartilhamento do contato de Kevin Marques.
O conteúdo das mensagens integra o material obtido pela Polícia Federal nas investigações relacionadas a Vorcaro e ao Banco Master. A existência dos diálogos e das referências financeiras não significa, por si só, comprovação de pagamento, contratação irregular ou vínculo entre eventual repasse e decisões tomadas pelo ministro no STF.

