Quando milhares de pessoas lotam o Bumbódromo para acompanhar a disputa entre Caprichoso e Garantido, poucos imaginam que o maior festival folclórico da Amazônia nasceu de uma iniciativa simples e solidária.
A história do Festival Folclórico de Parintins começou em 1965, quando um grupo de jovens da Juventude Alegre Católica (JAC) decidiu organizar uma quermesse para arrecadar recursos destinados à construção e manutenção da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Parintins.
A festa reunia apresentações culturais, danças folclóricas, barracas de comidas típicas e manifestações populares. Entre as atrações estavam os tradicionais bois-bumbás da cidade, que já faziam parte da cultura local muito antes da criação do festival.
Naquele momento, ninguém imaginava que aquela iniciativa beneficente daria origem ao maior espetáculo cultural da Amazônia.
Os bois já existiam antes do festival
Embora o festival tenha surgido em 1965, os dois protagonistas da festa nasceram décadas antes.
O Boi Garantido foi fundado em 1913, por Lindolfo Monteverde, que, segundo a tradição, fez uma promessa a São João Batista após enfrentar um grave problema de saúde. Como forma de agradecimento, passou a brincar de boi todos os anos, tradição que deu origem ao bumbá vermelho e branco.
Poucos anos depois, em 1919, surgiu o Boi Caprichoso, criado por famílias tradicionais de Parintins. Com o passar do tempo, a rivalidade entre as duas agremiações cresceu e passou a mobilizar toda a cidade.
Quando os bois foram incorporados ao festival beneficente da igreja, a competição conquistou rapidamente o público e se tornou a principal atração do evento.
Do tablado ao Bumbódromo
Nas primeiras edições, as apresentações aconteciam em tablados de madeira montados em espaços públicos de Parintins. Com o crescimento da festa e o aumento do número de visitantes, o festival passou a exigir uma estrutura maior.
Em 1988, foi inaugurado o Bumbódromo, arena construída especialmente para receber a disputa entre Caprichoso e Garantido. Desde então, o espaço tornou-se um dos maiores símbolos da cultura amazônica e recebe milhares de torcedores todos os anos.
Muito além da rivalidade
Hoje, o Festival de Parintins reúne música, dança, teatro, tecnologia, alegorias monumentais e manifestações da cultura indígena e cabocla em apresentações que chegam a duas horas e meia de duração.
Durante três noites, os bois apresentam espetáculos inéditos inspirados na floresta amazônica, nas tradições dos povos originários, nas lendas da região e em temas ligados à preservação ambiental e à diversidade cultural.
A competição é julgada por uma comissão responsável por avaliar diversos quesitos artísticos, como evolução, alegorias, toadas, itens individuais e desempenho coletivo.
Patrimônio da cultura brasileira
Mais do que um evento turístico, o Festival de Parintins tornou-se um importante símbolo da identidade amazônica.
Reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o espetáculo movimenta a economia da região, gera milhares de empregos temporários e atrai visitantes de diferentes estados brasileiros e do exterior.
O que começou como uma simples festa para ajudar uma igreja hoje emociona milhões de pessoas, fortalece a cultura popular e mantém viva uma tradição que atravessa gerações, mostrando que a maior riqueza da Amazônia também está em sua arte, em sua história e em seu povo.


