O engenheiro civil Marcellus Campêlo defendeu a ampliação dos investimentos em saneamento básico, drenagem urbana e infraestrutura sustentável como medidas essenciais para enfrentar os impactos das mudanças climáticas no Amazonas.
A avaliação foi apresentada durante a palestra de abertura do Circuito Ambiental, promovido pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), evento que reúne especialistas, pesquisadores, estudantes e profissionais para debater soluções voltadas aos desafios ambientais da região amazônica.
Infraestrutura é fundamental para enfrentar eventos extremos
Especialista em Saneamento Básico e em Governança e Inovação Pública, Marcellus Campêlo destacou que os eventos climáticos extremos têm se tornado cada vez mais frequentes e exigem planejamento e investimentos contínuos.
Segundo ele, áreas como saneamento, drenagem, habitação e recuperação ambiental devem estar entre as prioridades das políticas públicas voltadas à adaptação climática.
“Quando falamos de clima e sustentabilidade, estamos falando também de infraestrutura básica e qualidade de vida para a população”, ressaltou.
Dados mostram desafios enfrentados pelo Amazonas
Durante a apresentação, Campêlo apresentou indicadores que evidenciam os desafios ainda existentes no estado.
Segundo os dados divulgados:
- Mais de 809 mil amazonenses não possuem acesso à rede de abastecimento de água;
- Mais de 3 milhões de pessoas vivem sem coleta de esgoto;
- Cerca de 697 mil habitantes não contam com coleta regular de lixo;
- 36 municípios ainda não possuem sistemas estruturados de drenagem urbana.
Os números reforçam a necessidade de investimentos para reduzir vulnerabilidades e preparar as cidades para enfrentar enchentes, alagamentos e outros impactos climáticos.
Obras de drenagem e recuperação ambiental foram destacadas
Durante a palestra, o ex-secretário apresentou ações desenvolvidas por meio do Programa Social e Ambiental de Manaus e Interior (Prosamin+), considerado uma das principais iniciativas de requalificação urbana e ambiental da região Norte.
Entre os resultados apresentados estão:
- 34 quilômetros de novas redes de drenagem urbana implantadas;
- Recuperação de áreas degradadas;
- Reassentamento de famílias que viviam em áreas de risco;
- Recomposição vegetal em margens de igarapés;
- Obras voltadas à redução de alagamentos e proteção de áreas vulneráveis.
Segundo Campêlo, a drenagem urbana desempenha papel estratégico na prevenção de desastres e na adaptação das cidades às mudanças climáticas.
Infraestrutura verde ganha espaço nos projetos urbanos
Outro destaque apresentado foi a incorporação de soluções sustentáveis aos projetos urbanos.
De acordo com os dados apresentados, 25% das áreas de intervenção do Prosamin+ foram destinadas ao reflorestamento, totalizando mais de 110 mil metros quadrados de áreas recuperadas e previsão de plantio de aproximadamente 13,5 mil mudas.
A iniciativa busca conciliar desenvolvimento urbano e preservação ambiental, fortalecendo a proteção dos recursos naturais e a qualidade de vida da população.
Ilumina+ levou tecnologia a todos os municípios do interior
Campêlo também destacou os resultados do Programa Ilumina+, responsável pela implantação de mais de 119 mil pontos de iluminação pública em LED nos 61 municípios do interior do Amazonas.
A ação beneficiou comunidades urbanas, rurais, ribeirinhas e indígenas, promovendo mais segurança, eficiência energética e qualidade de vida para a população.
Debate reforça papel da engenharia na sustentabilidade
Para os organizadores do Circuito Ambiental, o evento busca aproximar a universidade das experiências práticas de gestão pública e das soluções aplicadas na Amazônia.
O encontro segue até o dia 26 de junho e promove discussões sobre mudanças climáticas, gestão dos recursos hídricos, saneamento, sustentabilidade urbana e desenvolvimento ambiental, temas considerados estratégicos para o futuro da região.
A avaliação dos participantes é de que os desafios climáticos exigem a integração entre ciência, engenharia, inovação e políticas públicas, com foco em soluções capazes de fortalecer a resiliência das cidades e melhorar a qualidade de vida da população amazonense.


