Pesquisadores da Universidade de Bath, em parceria com cientistas das universidades de Bristol e Newcastle, no Reino Unido, desenvolveram um curativo sustentável à base de plantas capaz de proteger feridas contra infecções e liberar antibióticos diretamente na região afetada.
Os resultados da pesquisa foram publicados nesta terça-feira (14) na revista científica Bioactive Materials e apontam uma nova alternativa para o tratamento de feridas, unindo eficácia clínica e sustentabilidade.
Como funciona o novo curativo
O material é produzido com polímeros de origem vegetal, derivados de furano, e possui uma estrutura de dupla face.
Na parte interna, o curativo libera rapidamente o antibiótico tetraciclina, impedindo o desenvolvimento de bactérias logo nas primeiras horas após a aplicação. Já a camada externa atua como uma barreira protetora, repelindo a água e controlando a umidade da ferida, o que favorece a cicatrização e evita o desperdício do medicamento.
Até 90% de redução do biofilme bacteriano
Segundo os pesquisadores, o curativo foi capaz de reduzir em até 90% a formação do biofilme bacteriano, estrutura formada por microrganismos que dificulta a cicatrização e está presente na maioria das feridas crônicas.
Nos testes realizados em laboratório, a tecnologia demonstrou eficácia contra as bactérias Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa, duas das principais causadoras de infecções em feridas.
Além dos resultados positivos, o material apresentou compatibilidade com a pele humana e não demonstrou sinais de toxicidade durante os experimentos.
Alternativa mais sustentável
Outro destaque da pesquisa é o aspecto ambiental. Diferentemente dos curativos produzidos com materiais derivados do petróleo, a nova tecnologia utiliza matérias-primas de origem vegetal, tornando-se uma alternativa mais sustentável para a área da saúde.
De acordo com o pesquisador Xiang Ding, autor principal do estudo, pequenas diferenças na composição dos materiais foram suficientes para gerar comportamentos completamente distintos quando transformados em fibras ultrafinas, permitindo que cada lado do curativo desempenhe uma função específica.
Tecnologia ainda precisa de novos testes
Apesar dos resultados promissores, os cientistas ressaltam que o curativo ainda precisa passar por novos estudos e testes clínicos antes de ser utilizado rotineiramente em pacientes.
A expectativa é que, após essa etapa, a tecnologia possa contribuir para reduzir infecções, acelerar a cicatrização e diminuir o uso indiscriminado de antibióticos, especialmente em pessoas com feridas de difícil tratamento.


